Robótica trata câncer de próstata sem deixar sequela
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de outubro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As sequelas mais temidas nos tratamentos tradicionais do câncer de próstata, a impotência sexual e a incontinência urinária, já podem ser evitadas com a braquiterapia feita através da robótica, técnica inusitada no Brasil.
De acordo com o urologista e diretor do Centro de Urologia e Oncologia Saint Louis Griffon, Sérgio Bassi, enquanto o paciente tratado com a cirurgia radical tem aproximadamente 70% a 80% de chances de apresentar disfunção erétil e incontinência urinária, o que é tratado com a braquiterapia tem apenas 5% de chances de apresentar esses problemas.
A braquiterapia envolve o implante permanente de 70 a 80 sementes radioativas, menores que um grão de arroz, na próstata, procedimento que leva cerca de 40 minutos e é realizado no próprio instituto com equipe de profissionais. Ficando ativas de oito a 12 meses, essas sementes matam as células tumorais e mantêm vivas as células normais da próstata, sem necessidade de se recorrer à quimioterapia ou à cirurgia radical para retirada da próstata.
A braquiterapia, que consiste na radioterapia intersticial, ou seja, que age de dentro para fora, também apresenta maior curabilidade, por não atingir órgãos vizinhos, como pode ocorrer com a radioterapia convencional. Segundo Bassi, para os tumores iniciais o índice de cura é de 90% a 95% dos casos, enquanto que, para tumores localmente avançados, que não evoluíram para metástase (quando o tumor contamina outros órgãos) esse índice cai para 75% a 80% dos casos.
Segundo Bassi, ambos os processos utilizados para o tratamento do câncer de próstata, a cirurgia radical, que envolve radioterapia, e a braquiterapia, são utilizados e eficazes. ''Nós, geralmente, utilizamos a braquiterapia em pacientes mais velhos, que estão mais propensos a complicações cirúrgicas, e a cirurgia radical em pacientes mais jovens. Mas, isso não significa que eles não possam optar pelo método de preferência'', disse.
Curitiba é a primeira cidade da América Latina a trabalhar com a técnica, que é utilizada nos Estados Unidos há cerca de seis meses. A clínica Saint Louis Griffon, na Capital, também deverá oferecer cursos para interessados em conhecer a técnica. A braquiterapia foi trazida para o País em 1996. O Centro de Urologia e Oncologia Saint Louis Griffon, em Curitiba, foi pioneiro no Brasil no uso para o tratamento do câncer de próstata, em 1998, e agora, com o uso da robótica.


