Carolina Avansini
Reportagem Local

Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a taxa de desemprego atingiu, em março de 2011, apenas 3,8% da População Economicamente Ativa (PEA). O índice é o menor do mês da série histórica, contra 4% em fevereiro de 2011 e 5,5% em março de 2010. A taxa é também a menor do País – cujo desemprego está em 6,5% da PEA –, baseada na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) realizada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  Para Gilmar Lourenço, diretor-presidente do Ipardes, a conjuntura revela que o mercado de trabalho continua aquecido apesar das medidas adotadas pelo Governo Federal, desde 2010, para conter o consumo e a inflação. ‘‘Por enquanto não deu para sentir os efeitos mais restritivos dessas medidas, o que nos permite supor que as empresas ainda estão apostando na estabilidade da economia brasileira e no seu potencial de crescimento a médio e longo prazo.’’
  O otimismo dos empresários indicaria que, se há uma crise inflacionária, ela é circunstancial e de curta duração. A possibilidade de desacelaração da economia, no segundo semestre, em função das medidas para conter a inflação existe, mas não é preocupante. ‘‘Deve haver redução no crescimento do nível de emprego, mas não desemprego. A leitura do mercado é que os ajustes macroeconômicos são pontuais’’, disse.
  O rendimento médio real do pessoal ocupado foi de R$ 1.682,30 na RMC, em março de 2011, 3,3% e 4,4% superior ao observado em fevereiro de 2011 e março de 2010, respectivamente. Foi também o maior rendimento apurado no País, 8% acima da média nacional.
  ‘‘Isso significa que, além do mercado de trabalho estar aquecido, os salários continuam subindo, ou seja, tem vagas a serem preenchidas’’, explicou. Algumas áreas industriais e a construção civil enfrentam, inclusive, o chamado apagão de mão de obra, quando a oferta de vagas é superior ao volume de trabalhadores disponíveis.
  Apesar dos números positivos, o presidente do Ipardes lembrou que os mesmos são referentes apenas à Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘As taxas são desequilibradas no País. Salvador, por exemplo tem quase 11% da população economicamente ativa desempregada’’, disse, observando que, no Brasil, mais da metade da população que trabalha não tem carteira assinada. ‘‘O mercado de trabalho ainda tem aspectos precários.’’
  Outro fator importante é que a média de rendimentos elevados é restrita a locais industrializados. E, mesmo nessas áreas, a maior parte dos empregos gerados é de baixa qualidade, ou seja, atinge no máximo dois salários mínimos nacionais. Para Lourenço, isso indica a necessidade de melhorar a formação, a qualificação e a educação da mão de obra para ocupação de vagas com mais qualidade e maior remuneração, principalmente na área técnica.
  ‘‘Este é um problema estrutural do País, que tem de ser resolvido com investimentos na educação básica e também na formação de profissionais em escolas técnicas públicas e pelo sistema ‘S’ de alguns setores’’, defendeu, referindo-se a escolas como Senai e Senac, entre outros exemplos de instituições mantidas pelo setor produtivo.

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