Curitiba Desde os anos 70, quando Jaime Lerner foi prefeito e começou a implementar as intervenções urbanistas que tornaram Curitiba conhecida nacionalmente como cidade-modelo, a capital vem seguindo basicamente o mesmo planejamento urbano. Até agora, a fórmula baseada no tripé das leis de zoneamento, transporte coletivo e criação de parques como meio de preservação das áreas verdes deu certo. Por quase 30 anos Curitiba conseguiu se manter entre as melhores cidades do País em qualidade de vida.
Mas a ''Capital Ecológica'' ou ''Curitiba Social'' motes criados pelas prefeituras para enfatizar suas prioridades tem o desafio de criar novas políticas de desenvolvimento. ''Curitiba hoje tem problemas comuns a qualquer cidade de seu porte, como o trânsito, habitação. Os problemas têm que ser repensados no contexto de que Curitiba não é só uma cidade. Tem que trabalhar no contexto metropolitano'', analisa a doutora em Meio Ambiente Urbano e coordenadora de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cristina de Araújo Lima.
Ela lembra que não é uma tarefa fácil. Afinal, a Grande Curitiba é composta por 25 municípios. Destes, 11 fazem fronteira direta com a Capital, formando o que se chama de ''periferia'' de Curitiba. Ela lembra que enquanto a Capital dispõe de infra-estrutura em quase toda sua extensão, grande parte da Região Metropolitana carece desses serviços básicos.
''Um problema grave é a ocupação na forma de sub-habitações, ou seja, as favelas'', diz. Só nos 11 municípios periféricos estão 75% da população de menor renda da Grande Curitiba, sendo que 12% da população vivem em favelas.
A situação é agravada porque essa ocupação desordenada cresce principalmente na região leste, sobre os mananciais de abastecimento público de água. O resultado é o assoreamento e poluição dos rios. Na região leste, estão 75% da água consumida em Curitiba. Sem esse manancial restam os 30% provenientes do Rio Passaúna.
O Plano Regional de Desenvolvimento de 1974 já previa a necessidade de se preservar os mananciais, mas o município não conseguiu impedir a ocupação por populações mais carentes. ''Agora é difícil retirar o pessoal dessas áreas, mas é possível redirecionar o crescimento para outras regiões.''

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