Rivalidade divide entidades estudantis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A luta pelo passe livre de ônibus para estudantes de Londrina trouxe à tona a rivalidade entre duas entidades representativas da categoria a União Londrinense de Estudantes Secundaristas (Ules), que completa 55 anos no próximo mês; e a Força Jovem, oficializada em outubro do ano passado. As acusações são mútuas e envolvem denúncias de desvio de verbas, não prestação de contas e envolvimento político das entidades.
Há cerca de 15 dias, representantes da Força Jovem procuraram a Câmara Municipal e o Ministério Público pedindo providências para a denúncia de que a Ules não prestou contas das suas finanças nos últimos cinco anos. Os integrantes também questionam a conotação política da passeata realizada na última quarta-feira pedindo o passe livre. ''Se o prefeito (Nedson Micheleti) já tinha prometido o passe livre, por que fazer uma passeata pedindo isso? É oportunismo, e não só da Ules, para ganhar espaço na mídia'', afirmou Edmilson Costa, de 18 anos, presidente da Força Jovem desde sua oficialização.
A Ules contra-ataca questionando a ligação política e a representatividade da Força Jovem. ''Esse movimento é formado por pessoas que passaram pela Ules e que foram expulsas por má conduta, desvio de repasse e não-prestação de contas quando participaram de grêmios'', disse Tiago Andrey de Abreu, de 19 anos, presidente há um ano da entidade.
O fato é que representar estudantes pode ser ''lucrativo''. A Força Jovem obtém recursos, segundo Costa, através de palestras e eventos que, no ano passado, renderam cerca de R$ 1,1 mil, com cada estudante pagando R$ 2,00 pela entrada. ''Nesse ano a meta é gerar cerca de R$ 500,00 por mês'', disse. Segundo Costa, as palestras são de interesse dos estudantes, como prevenção a drogas e movimento estudantil, e no ano passado foram ministradas pelo Sindicato da Polícia Federal e estudantes de sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Já a receita da Ules, segundo Abreu, é proveniente da confecção das carteirinhas de estudante para meia entrada. No ano passado, foram de 7 a 8 mil carteirinhas, segundo Abreu, que renderam de R$ 7 mil a R$ 8 mil, já que dos R$ 5 pagos por estudante, só R$ 1 fica com a entidade. ''O restante é dividido entre a Upes (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas), os grêmios estudantis e os custos de produção'', explicou. Com o dinheiro, a Ules banca um tablóide mensal, viagens para congressos, manutenção da sede e pagamento de funcionários.


