O projeto ‘Os Sete Cumes do Mundo’ esconde uma briga entre dois alpinistas que, ironicamente, foram os primeiros brasileiros a escalar o Everest (8.848 metros): o paranaense Waldemar Niclevicz e o carioca Mozart Catão. Embora nunca tenham sido grandes amigos, cumpriram o desafio juntos. O estopim da briga foi acendido assim que os dois voltaram do Nepal, em junho de 1995.
De acordo com Niclevicz, o desentendimento aconteceu por causa de fotos e vídeos da viagem. ‘‘Catão queria ceder as imagens e fotos para a Petrobrás, que era sua patrocinadora. Eu, como fotógrafo profissional, disse que venderia as imagens’’, lembra. Foi aí que começou tudo. Catão se sentiu ofendido e acabou rompendo definitivamente com o alpinista paranaense. Os dois cumpriram os compromissos já agendados, mas já não se falavam mais.
‘‘Nunca escalei a montanha apenas pelo desafio. Queria também poder mostrar a cultura, a fauna e a flora dessas regiões. Não era só por esporte’’, diz Niclevicz. Já Catão, segundo ele, gostava de escalar para vencer desafios. ‘‘Ele nunca se preocupou em fazer fotos e imagens, ou trazer informações da viagem’’, lamentou.
Depois que retornaram ao Brasil, cumpriram vários compromissos juntos, divulgando a façanha brasileira. Sempre que eram consultados sobre projetos futuros, Niclevicz afirmava que seu próximo desafio seria conquistar as montanhas mais altas de cada continente. ‘‘O Catão sempre dizia que ainda não sabia o que iria fazer’’, diz o alpinista paranaense.
Depois de algum tempo, os dois estavam realizando o mesmo projeto. A briga acabou se transformando em uma corrida contra o tempo. ‘‘Agora é uma briga para ver quem completa primeiro os sete cumes’’, afirmou Niclevicz. Os dois já escalaram seis cumes, restando apenas o Carstenz, na Oceania. (F.P.)

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