Rivalidade acirra a corrida contra o tempo
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Curitiba 
O projeto Os Sete Cumes do Mundo esconde uma briga entre dois alpinistas que, ironicamente, foram os primeiros brasileiros a escalar o Everest (8.848 metros): o paranaense Waldemar Niclevicz e o carioca Mozart Catão. Embora nunca tenham sido grandes amigos, cumpriram o desafio juntos. O estopim da briga foi acendido assim que os dois voltaram do Nepal, em junho de 1995.
De acordo com Niclevicz, o desentendimento aconteceu por causa de fotos e vídeos da viagem. Catão queria ceder as imagens e fotos para a Petrobrás, que era sua patrocinadora. Eu, como fotógrafo profissional, disse que venderia as imagens, lembra. Foi aí que começou tudo. Catão se sentiu ofendido e acabou rompendo definitivamente com o alpinista paranaense. Os dois cumpriram os compromissos já agendados, mas já não se falavam mais.
Nunca escalei a montanha apenas pelo desafio. Queria também poder mostrar a cultura, a fauna e a flora dessas regiões. Não era só por esporte, diz Niclevicz. Já Catão, segundo ele, gostava de escalar para vencer desafios. Ele nunca se preocupou em fazer fotos e imagens, ou trazer informações da viagem, lamentou.
Depois que retornaram ao Brasil, cumpriram vários compromissos juntos, divulgando a façanha brasileira. Sempre que eram consultados sobre projetos futuros, Niclevicz afirmava que seu próximo desafio seria conquistar as montanhas mais altas de cada continente. O Catão sempre dizia que ainda não sabia o que iria fazer, diz o alpinista paranaense.
Depois de algum tempo, os dois estavam realizando o mesmo projeto. A briga acabou se transformando em uma corrida contra o tempo. Agora é uma briga para ver quem completa primeiro os sete cumes, afirmou Niclevicz. Os dois já escalaram seis cumes, restando apenas o Carstenz, na Oceania. (F.P.)


