A partir de Sexta-Feira Santa, 10 de abril, cerca de 50 mil pessoas devem passar por um ‘ritual da cura’ com navalha nos mil terreiros de Candomblé e Umbanda do Paraná. Pelo menos metade dessas pessoas corre o risco de contrair Aids e outras doenças infecto-contagiosas como a hepatite, por compartilharem a mesma lâmina - que fica ensanguentada - durante o ritual. O alerta é do presidente da Federação das Religiões Afro-Brasileiras, Wilson Taylor, que informou que os centros de Umbanda e Candomblé do Estado não recebem qualquer acompanhamento por parte das autoridades municipais e estaduais de saúde, a fim de evitar a transmissão de doenças.
Taylor informou que nos 500 terreiros que são filiados à federação o risco de que ocorram contaminações é menor. Isso porque a entidade procura informar os associados, através de palestras, sobre como prevenir a transmissão de doenças durante a realização dos rituais. A maior preocupação de Taylor é em relação aos centros de Umbanda clandestinos, muitas vezes coordenados por pessoas sem qualquer formação, que não conhecem os riscos da Aids e as formas de prevenção. ‘‘Poderíamos fazer mais se tivéssemos algum apoio, mas nem um carro para trabalhar a federação tem’’, reclama.
Essa situação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, que informou não ‘‘existir nenhuma ação porque não há estatísticas’’. No Centro de Orientação e Aconselhamento à Aids e Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, a informação é que ‘‘se houver algum trabalho de prevenção em relação aos centros de Umbanda, ele é executado pelo governo do Estado.’’
O coordenador do Grupo Dignidade, Toni Reis, lidera as ações de prevenção à Aids e doenças sexualmente transmissíveis (DST) junto aos homossexuais, prostitutas e usuários de drogas da capital. Reis informou que está aguardando contatos com autoridades de saúde da Bahia e Ceará, onde o trabalho já acontece. A idéia é formar um grupo para estudar a possibilidade de se trabalhar também nos centros de Umbanda e Candomblé do Paraná.

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