O ‘‘ritual do fogo’’, a partir de meia-noite de hoje, abre as solenidades da 7ª Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em Campo Mourão. O prato só será servido amanhã, depois das 11 horas, mas até lá pelo menos três rituais são sagrados durante o preparo dos mais de 100 tachos da iguaria. O ritual do fogo é apenas o primeiro. Ele anuncia o acendimento do fogo nos buracos escavados no Parque de Exposição. Puxada ao som de um berrante, uma caminhada com pessoas segurando tochas nas mãos percorre o parque. São com essas tochas que os buraco são acesos.
Quando o fogo toma conta dos 100 buracos, o visual é bonito e chama a atenção de um público cada vez maior e mais fiel. O segundo ritual acontece entre 5 e 6 horas, quando os tachos começam a descer aos buracos. É preciso técnica para que os tachos não virem durante a descida. O último - e mais esperado - ritual se dá a partir das 11 horas de domingo, quando os tachos começam a ser retirados. Mais uma vez é necessário cuidado para o tacho não virar.
‘‘Já vi algumas vezes o tacho virar na hora da retirada e tudo ser perdido’’, conta o mestre-cuca Tony Nishimura. ‘‘Daí, é aquela correria atrás de uma churrascaria para garantir o almoço prometido’’, frisa. O cozinheiro lembra o dia em que o tacho virou, no interior de São Paulo, para frustração de dezenas de pessoas que acompanhavam o ritual atentamente. ‘‘Houve pelo menos uns cinco minutos de silêncio’’, ressalta Nishimura.
Assombração Com a experiência de já ter servido o carneiro no buraco em 10 Estados, Nishimura já passou por casos pitorescos. Num deles, foi surpreendido com um buraco quadrado. ‘‘Me disseram que o buraco tinha que ter 1,15 metro de diâmetro, mas ninguém falou que ele deveria ser redondo’’, justificou o operário encarregado pela escavação. Em outro caso, Nishimura foi surpreendido com um buraco, ou melhor, uma cratera feita com uma retro-escavadeira.
‘‘Eu mesmo tive que fazer um buraco nas medidas certas’’, recorda-se. Em outro episódio, ocorrido numa chácara em Campinas, o ajudante de Nishimura fugiu de madrugada, antes da descida do tacho. ‘‘Ele ficou com medo de assombração’’, frisa o mestre-cuca. Num outro caso, Nishimura deixou o carneiro cozinhando e orientou as pessoas do horário que o tacho deveria ser retirado. Foi procurado horas mais tarde, em casa, para ajudar a achar a iguaria. ‘‘Como o buraco é tampado e coberto com terra, eles não achavam o local onde estava o tacho’’.
A festa do carneiro no buraco será realizada no Parque de Exposição. O convite para adulto custa R$ 8,00. Criança paga R$ 4,00.

mockup