Londrina – A procura pelas praças esportivas sempre aumenta durante o verão. As academias ao ar livre são boas opções para fazer atividades físicas, principalmente para o público da terceira idade. No entanto, o vandalismo e a falta de instrutores escondem graves perigos aos praticantes. Acidentes com aparelhos quebrados ou lesões por exercícios feitos de forma incorreta podem comprometer a saúde de quem procura exatamente o contrário.
Há dois meses, o aposentado Carlos Schmidt, de 78 anos, sofreu lesões graves na coluna ao exagerar nos exercícios que fazia pelo menos três vezes por semana, na academia do Jardim Sabará (zona oeste). O trauma agravou problemas de hérnia de disco e causou paralisia parcial dos braços e pernas. "Hoje nem saio de casa. O tratamento é muito penoso", lamentou. Para o aposentado, a presença de um instrutor capacitado é essencial. "A academia é uma coisa muito boa, mas não dá para se arriscar sem um professor. Aprendi da pior forma".
A importância do acompanhamento de um instrutor físico e de um médico foi determinante na vida da aposentada Neiva Terezinha Lopes, de 61 anos, moradora do Conjunto Milton Gavetti (zona norte). Ela fazia aulas de musculação duas vezes por semana e começou a sentir dores nas costas. Aconselhada a procurar um médico, ela recebeu a recomendação de praticar apenas ginástica e alongamento. Hoje ela faz parte de uma turma de ginástica na Praça da Juventude da Zona Norte. "Me sinto segura. O instrutor sabe o que está fazendo", elogiou.
No ano passado, estagiários conduziam treinamentos nas academias ao ar livre, porém os serviços foram paralisados após notificação do Conselho Regional de Educação Física do Paraná (Cref-PR). De acordo com o órgão, os estagiários não têm capacidade técnica e devem ser supervisionados por um profissional.
Segundo o diretor técnico da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Jefferson Del Fraro, é inviável manter um profissional por estagiário. A prefeitura tenta uma flexibilização com o Cref por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). A intenção é manter um profissional para cada cinco estagiários. O documento com a proposta está na Procuradoria Jurídica do Município e não há prazo para ser encaminhado.

Conscientização
A falta de manutenção dos equipamentos, alvos constantes do vandalismo, é outra reclamação dos usuários. O aposentado Júlio Galdino dos Santos, de 63 anos, tem priorizado a corrida em torno do Lago Igapó (área central). Instalada em local estratégico, a academia do Lago Igapó 2, ao lado da Avenida Higienópolis, está com vários aparelhos destruídos.
"Até pouco tempo terminava minhas atividades físicas aqui, mas agora não tem mais condições. Os aparelhos quebrados são perigosos e podem causar acidentes", reclamou Santos, ao escolher as poucas opções em condições de uso. Para a professora aposentada Cleuza Rocha, de 65 anos, a falta de atividades supervisionadas abre espaço para o abandono e, por consequência, o vandalismo. "Quando um espaço não é aproveitado como deveria, acaba sendo utilizado para outros fins, como consumo de drogas, por exemplo".
Se o vandalismo é notado nas áreas nobres da cidade, na periferia é ainda maior. A academia do Parque Ouro Verde (zona norte), ao lado da Escola Municipal David Dequech, está entre as que apresentam as piores condições. Peças quebradas estão espalhadas pelo gramado ao lado da Paróquia Nossa Senhora da Glória. A diretora da escola, Suzana Martins Ribeiro, criticou a falta de conscientização dos moradores. "O vandalismo é um problema grave que prejudica a própria comunidade. Vejo muitas senhoras que fazem exercícios que são prejudicadas", lamentou.
O diretor da FEL informou que Londrina tem 77 academias ao ar livre, com mais seis unidades em fase de construção. Segundo ele, a manutenção nos aparelhos é feita com frequência. "Enquanto arrumamos um, três são quebrados. Não conseguimos dar conta do serviço por causa do vandalismo." Del Fraro pediu a colaboração dos moradores para denunciar os vândalos pelo telefone 153, da Guarda Municipal.

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