Riscos debaixo dágua
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quinta-feira, 09 de janeiro de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - A questão da prevenção de acidentes em piscinas veio à tona nos últimos dias, após a morte de três crianças, e serve como um alerta da importância da manutenção constante e o cuidado permanente dos pais ou responsáveis.
No dia 4 de janeiro, em Caldas Novas (GO), um menino de 7 anos teve o braço sugado pelo ralo em um condomínio de prédios. Ele ficou submerso por alguns minutos e morreu. Em Belo Horizonte (MG), uma menina de 8 anos teve o cabelo preso a um tubo de sucção da água, enquanto brincava em um clube. Ela morreu horas depois. Em Linhares (ES), outro caso semelhante. Uma garota de 11 anos morreu após ter os cabelos sugados pelo sistema de limpeza da piscina em casa.
Os números do Ministério da Saúde mostram que os casos de morte por afogamento são comuns em todo o país. Segundo a Agência Saúde, em 2011, mais de mil crianças com idades entre zero e 14 anos morreram afogadas.
Em relação aos acidentes envolvendo equipamentos de piscina, a engenheira civil e responsável técnica da Cia. das Águas, Leila Bargas, explica que os motores de sucção que servem para filtrar a água devem seguir todas as normas de instalações hidráulicas.
"A especificação é que uma piscina tenha pelo menos dois ralos com grelhas. Dessa forma, a vazão de sucção da bomba é distribuída e, portanto, não há muita pressão para puxar", diz. Leila comenta que é comum em piscinas antigas ou com má manutenção as grades se quebrarem e a tubulação ficar exposta ou entupida.
"O ideal é distribuir a vazão pelas grades de fundo. Hoje em dia existe muita tecnologia nessa área. Outro sistema que vem sendo utilizado é o skimmer, uma peça que faz a sucção de superfície. O importante é que as pessoas busquem uma empresa especializada para construir uma piscina e que faça vistorias e manutenções pelo menos uma vez ao ano", comenta a engenheira.
Em 2013, o Corpo de Bombeiros de Londrina atendeu seis incidentes com pessoas em meio líquido. É nesta época do ano, em período de férias, que os riscos aumentam, até porque muitas pessoas buscam locais impróprios para banho. "É contraindicado não só pelos riscos de afogamento, mas pela insalubridade da água", afirma o tenente Rodrigo Costa do Corpo de Bombeiros de Londrina. "Muitos dos acidentes envolvem homens entre 18 e 30 anos e associados ao uso de bebida alcoólica", completa.
Supervisão
De acordo com o tenente, o primeiro passo para prevenir acidentes é a supervisão dos pais ou responsáveis. Cerca de 65% dos afogamentos ocorrem em água doce. Ao se tratar de piscina residencial, Costa aconselha a colocação de grades ou portões para limitar o acesso das crianças. Já em piscinas coletivas, o recomendado é frequentar locais que tenham a supervisão de profissionais salva-vidas.
Bombeiro aposentado e atuando há muitos anos no Londrina Country Club (região central), José Carlos de Moraes é responsável pela segurança dos associados nas piscinas. Entre os meses de outubro e março, ele fica de prontidão, supervisionando principalmente as crianças.
"Tenho que ter muita atenção com as crianças. Fico de olho quando elas estão só de boia sem a presença dos pais, quando escorregam no tobogã e quando fazem brincadeiras de risco. Muitas vezes os pais estão por perto, mas a desatenção por minutos que seja pode ser muito perigosa", ressalta.
O administrador de empresas Haroldo Machado frequenta o clube diariamente com a filha Catarina e a sobrinha Carolina, de 10 anos. "Eu fico muito mais aliviado ao saber que tem um profissional por perto, pois elas estão em uma idade em que brincam e pulam muito na água. Tem que ficar de olho o tempo todo", afirma.
Com o filho Pedro, de dois anos e meio, a professora Sandra Regina Georgetti também não brinca na água quando o assunto é segurança. "Ele sempre entra com a boia e mesmo assim eu fico com ele no colo. Acho que os acidentes que aconteceram recentemente serviram até como um alerta para os pais. É perigoso", diz.
O tenente Costa ainda reforça que os pais devem conscientizar as crianças sobre os perigos seja na piscina, lago ou mar. "Também vale lembrar que a utilização de objetos flutuantes apenas minimizam os riscos. Outra recomendação é não nadar com antecedência mínima de duas horas após a refeição", completa.
Salvamento
Ao visualizar uma pessoa afogando, mesmo tendo conhecimento de natação, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros e buscar meios alternativos de salvamento, como boias ou objetos flutuantes que possam ser arremessados à pessoa. "As pessoas não têm a prática e técnica de salvamento e é comum ocorrer afogamentos múltiplos", diz.
Serviço:
Em caso de afogamento ligue para o Siate pelo 193


