RISCOS - Cego dribla obstáculos nas ruas e calçadas
Há alguns dias, o deficiente visual Lúcio Antônio Brandão, de 48 anos, ficou ferido ao se chocar com uma caçamba. Sozinho, ele, que é cego desde quando nasceu, andava pela rua porque boa parte das calçadas da região onde mora estão esburacadas ou ocupadas com os mais diferentes tipos de obstáculos.
Mesmo com a bengala, ele não conseguiu perceber a caçamba e acabou machucando o nariz. Se isso ocorreu perto da minha casa, por onde sempre passo, imagine em outros lugares da cidade, declarou. De fato, uma simples caminhada nas ruas da cidade pode se tornar um martírio para um deficiente visual.
A reportagem da Folha constatou as dificuldades de Brandão ao fazer o trajeto entre a casa dele e o ponto de ônibus: são calçadas escorregadias ou totalmente intransitáveis e carros estacionados irregularmente bloqueando a passagem de pedestres. Orelhões e lixeiras também representam riscos para cegos.
Existem leis sobre conservação das calçadas que precisam ser respeitadas para que os pedestres, inclusive os deficientes visuais, possam andar com segurança. As calçadas devem ter pavimento regular, sem degraus e o piso não pode ser escorregadio. Em Londrina, ainda é preciso melhorar muito para atingir um nível razoável de segurança.
O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência lembra que Brandão pode acionar na Justiça tanto os proprietários, responsáveis pela manutenção das calçadas, quando a prefeitura, que fiscaliza o cumprimento do Código de Obras.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que
16,6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual. Deste total,
160 mil são cegos, 2,4 milhões têm grande dificuldade de enxergar e
14 milhões têm alguma dificuldade de enxergar.
Visa assegurar ao portador de deficiência física o pleno exercício dos direitos básicos quanto à educação, à saúde, ao trabalho, ao esporte, ao turismo, ao lazer, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à edificação pública, à habitação, à cultura, ao amparo à infância e à maternidade.
O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.





