Londrina - A busca por tratamentos médicos muitas vezes oferece risco de acidentes aos pacientes de municípios da região que viajam a Londrina em ônibus e kombis das prefeituras. Na semana passada, um acidente com um ônibus de 30 anos da Prefeitura de Jataizinho resultou na morte de Isabel
Ferreira da Cruz, que foi atropelada depois que o carro perdeu o freio na Avenida Tiradentes (Zona Oeste). As notícias sobre o acidente geraram ainda mais insegurança entre os usuários desse tipo de transporte, que temem pela própria vida na busca de soluções para problemas de saúde.
Veículos com mais de 20 anos, em condições aparentemente precárias são fáceis de serem encontrados nos arredores de hospitais, clínicas e da sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). A reportagem flagrou pelo menos dois veículos nessa situação, das prefeituras de Ivaiporã e Itambaracá.
O tratorista Paulo Campos, 36 anos, de Florestópolis, contou que já passou por situações arriscadas em viagens até Londrina para realizar exames médicos. "Já aconteceu do ônibus perder o freio e desgovernar. Também fiquei sabendo que o mesmo carro sofreu um acidente", afirmou. Campos denunciou também que o veículo da prefeitura muitas vezes viaja acima da capacidade, aumentando os riscos. "As pessoas se arriscam a perder a vida, mas não podem deixar de viajar, porque Florestópolis só tem o serviço básico de saúde. Até
ultrassom a gente tem que fazer em Londrina", relatou.
Na semana passada, o trabalhador rural Paulo César Rodrigues Ribeiro, 40, de Abatiá, vivenciou mais um episódio de desconforto e risco no veículo que o transportava para Londrina. "O ônibus quebrou, parou várias vezes e a viagem atrasou mais de uma hora. O problema é que esse ônibus é muito velho, já era antigo quando foi recebido pela prefeitura por doação", reclama.
Além do medo de acidentes, o carpinteiro José Ferreira, 59, de Cornélio Procópio, enfrenta semanalmente o desconforto proporcionado pelas velhas poltronas do ônibus que traz pacientes a Londrina. "Hoje mesmo tive que trocar de assento porque a poltrona onde sentei estava quebrada. É normal o carro ter problemas no caminho, a verdade é que o pessoal viaja correndo risco de vida", afirmou.
Motoristas que conduzem ônibus de vários municípios da região confirmam a situação relatada por pacientes e denunciam que são obrigados a enfrentarem a estrada em veículos sem condições de trafegar. "Se eu me recuso a vir, outro motorista vem e acabo sendo punido", contou um profissional que não quis se identificar. Responsável pela condução de uma Kombi que viaja mais de 300 quilômetros por dia com excesso de peso causado pelo número excedente de pacientes, ele afirma que dirige com medo.
"O mecânico avisou que a Kombi poderia pegar fogo no caminho. Mesmo assim a gente vem", contou outro motorista à reportagem da FOLHA. "Dirijo devagar e levo muito mais tempo para fazer a viagem quando sei que o carro não tem condições de trafegar. Quem tem um pouco mais de condições financeiras prefere vir de carro a Londrina e não correr riscos. São os mais humildes que acabam se arriscando nos ônibus velhos", lamentou.

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