Risco é maior para técnicos
Curitiba - O técnico em radiologia é o principal interessado na correta aplicação dos recursos de segurança. ''É ele quem está sujeito a doses constantes de radiação, principalmente se a clínica não oferece equipamentos adequados de proteção'', aponta Abel dos Santos, presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Paraná (Conter-PR). No entanto, apesar de regulamentada, a profissão ainda encontra dificuldades para ver a legislação do setor cumprida.
Segundo Santos, os principais problemas encontrados nas fiscalizações realizadas pelo Conter são a ausência de avental de chumbo e protetor de tireoide disponíveis para o técnico radiologista e para eventuais acompanhantes de pacientes.
No Paraná, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), há 1.138 técnicos em radiologia em atuação na rede pública em 193 municípios do Estado. No entanto, há o registro de operação de equipamentos de radiodiagnóstico em 290 municípios do Paraná (72,68%).
Para o físico Danyel Soboll é importante discutir a formação do vigilante sanitário que faz a fiscalização das instalações de clínicas e hospitais. Segundo a chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Maria Aida Meda, o departamento estadual possui pessoal especializado. ''As 22 regionais da vigilância possuem técnicos qualificados'', afirma. No entanto, em 80% dos municípios do Estado, quem realiza, de fato, a fiscalização são os departamentos de vigilância sanitária municipais. ''Se o município tem alguma dificuldade na fiscalização pode solicitar uma ação complementar do Estado'', diz Maria.
O bom funcionamento de qualquer equipamento médico depende de manutenção. Com os serviços de raio-x e radiodiagnóstico, essa preocupação é igualmente importante. ''Equipamentos desregulados podem emitir radiação em diversas direções ao invés de produzir um feixe reto, como é esperado'', explica Soboll.
Como resultado, além da emissão desnecessária de radiação em outras direções, a qualidade do exame final também é prejudicada. ''O técnico acaba precisando repetir o exame, o que expõe o paciente a mais radiação'', aponta. ''A má qualidade de um exame também é prejudicial ao diagnóstico'', alerta o médico Lutero Marques de Oliveira, especialista em radiodiagnóstico.(R.C.F.)





