Risco de trauma na coluna cresce com a chegada do verão
Osmani Costa
De Londrina
A chegada do calor e a proximidade do verão trazem o aumento do perigo de acidentes aquáticos que geram o traumatismo raque-medular. O acidente mais grave nas águas de piscinas, rios e lagos além do que provoca a morte, obviamente é o causado pela batida da cabeça da vítima numa pedra, galho de árvore ou leito. Em consequência da colisão imprevista, o peso do corpo força a coluna vertebral fraturando uma ou mais das sete vértebras cervicais. Na maioria dos casos, a vítima fica tetraplégica, perdendo os movimentos dos membros inferiores e superiores.
O alerta está sendo feito, de maneira preventiva, pelo neurocirurgião Wander Miguel Tamburus e pelo fisioterapeuta Ruy Moreira da Costa Filho. Ambos são professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenadores do Serviço de Internação e Assistência ao Portador de Traumatismo Raque-Medular (Siaptram) do Hospital Universitário (HU), criado em 1986 e ainda hoje o único do interior do Paraná.
Segundo eles, apesar de não haver estatísticas precisas sobre o problema, o número deste tipo de acidente cresce muito nesta época do ano. As lesões medulares traumáticas atingem anualmente entre 6 e 8 pessoas em cada grupo de 160 mil habitantes. Os principais motivos são acidentes de trânsito, agressões físicas com armas, acidentes de trabalho e os mergulhos mal sucedidos, com 12% dos casos, afirma Wander Tamburus.
O serviço do HU atende atualmente cerca de 50 pacientes, em sessões semanais de uma a três com 60 minutos de duração cada. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar que conta com professores e estudantes do último ano dos cursos de medicina neurologia, urologia, ortopedia e cirurgia plástica , fisioterapia, enfermagem, psicologia e assistência social.
A fila de espera pelo atendimento é grande, mas Ruy Costa Filho não sabe precisar o número. Não trabalhamos com uma lista formal de espera. Nosso maior problema é a falta de espaço físico e a demora do tratamento, que às vezes leva anos, comenta ele, lembrando que a sala de fisioterapia só tem condições para atender simultaneamente cinco pacientes.
O coordenadores do Siaptram lembram que os acidentes em piscinas são raros e ocorrem normalmente em meio a festas com pessoas bêbadas. O mais comum são os acontecidos em rios, lagos e represas desconhecidos pelas vítimas. No lago Igapó (área central de Londrina), este tipo de acidente acontece uma ou duas vezes por ano. Quando maior o número de vértebras fraturadas, piores são as consequências. Mais frequentemente as lesões ocorrem entre as vértebras 4 e 5 e levam à tetraplegia, ressalta Tamburus, lembrando que o nível da recuperação que o tratamento alcança algumas vezes depois de cirurgia também depende da gravidade da lesão.





