Risco de surto não está afastado
Ana Clara Garmendia
Especial para a Folha
Albari RosaO secretário Nizan Pereira encontrou larvas do mosquito da dengue em borracharias da cidadeO risco de surto epidêmico de dengue na Região Metropolitana de Curitiba não está afastado, segundo afirma o secretário de Saúde de Almirante Tamandaré, Nizan Pereira, também ex-secretário da Saúde de Curitiba e do Estado.
‘‘Existia a idéia de que a dengue não chegaria aqui. Queremos romper com isso. Temos de romper com a falsa idéia de que a doença só ocorre no interior nordestino, quando na verdade não é o que acontece’’, afirma.
Atento ao mal que a população pode sofrer caso não seja avisada, Pereira iniciou ontem, em Almirante Tamandaré, uma campanha de prevenção nas borracharias da cidade.
Já na primeira visita, os técnicos da secretaria encontraram larvas de mosquitos. O secretário, que acompanhou as visitas, conversou com os proprietários e pediu que sejam eliminadas as poças de água que ficam dentro dos pneus.
Sebastião de Baura, dono de uma das borracharias visitadas , disse que há muito sabe dos perigos oferecidos pela grande quantidade de pneus velhos que tem em seu estabelecimento.
‘‘Sei dos perigos que a água parada oferece, mas não tenho para onde levar todo este entulho. Acho que este é um assunto que a Prefeitura tem de resolver’’.
A presença da doença no Estado já chega a 2 mil casos notificados, sendo 504 confirmados, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado. Ao todo são 30 municípios atingidos, sendo 12 com casos autóctones (contraídos na cidade) e 18 importados (contágio fora da cidade).
Foz do Iguaçu é o município mais atingido. Com temperaturas altas, a região estaria mais propícia ao ataque do mosquito. Apesar disso, segundo o secretário de Almirante Tamandaré, esta teoria está quase ultrapassada, pois o que tem sido verificado é que os mosquitos estão mais resistentes ao frio.
O problema ainda aumenta com a presença de outra espécie de mosquito, o Aedes Almopictus, comum na região. Ele é um possível condutor da dengue, como se verificou no continente asiático. Conforme a coordenadora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Angélica Cerveira, esta possibilidade de contaminação no País ainda está descartada.
‘‘Não temos nenhum registro de que o Aedes Almopictus faça transmissão no nosso continente, nem na Europa. Somente temos registros de contágio no continente asiático‘‘,afirmou.
A polêmica a respeito do Almopictus surgiu na Região Metropolitana de Joinville (SC), onde foi detectado um caso de dengue em um paciente que diz não ter saído do Estado. Com isso, ele não poderia ter sido contagiado pelo vírus aedes aegypti.
Segundo Zoraide Guerra, médica do Programa de Combate a Dengue e a Febre Amarela da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Brasília, e pesquisadora da doença, não há nada esclarecido no caso de Santa Catarina. ‘‘Não temos nada confirmado. Por enquanto, acreditamos que o Aedes aegypti deva ter chegado lá. E já estamos tentando detectá-lo’’.

mockup