Risco de soltar pipa é conhecido, mas ainda assim prática é comum
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
James Alberti 
Uma brincadeira inocenta que pode trazer consequências graves. Embora 99 de cada 100 paranaenses afirmem saber dos perigos de soltar pipa, segundo pesquisa feita pela Copel em junho deste ano, o passatempo ainda faz vítimas graves. Foi o que aconteceu com um menino de 15 anos da Região Norte do Estado, que morreu quanto tentava retirar uma pipa que havia ficado presa na rede de energia elétrica.
A pesquisa mostrou que 1% dos paranaenses desconhece o perigo, e é esse número que preocupa a estatal. Segundo o gerente do Departamento de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Acompanhamento de Recursos Humanos, José Benedito de Oliveira, esse 1% significa de 80 a 90 mil pessoas no Estado, número considerado alto pela empresa. Esses seriam as vítimas em potencial, segundo o gerente.
Oliveira considera baixo o índice de acidentes se analisados estatisticamente, mas acha que a possibilidade de uma única morte já é motivo suficiente para preocupação. Conforme números da Copel, em 1995 aconteceram três acidentes. Em 96 dois e 97 um. Todos causaram ferimentos graves. Neste ano, o único acidente registrado foi o que matou o garoto de 15 anos. Para previnir futuros acidentes, Oliveira aposta em campanhas na imprensa e, principalmente, o trabalho de conscientização realizado em colegas. É preciso esclarecer os pais para que cobrem dos filhos.
Não é tanto - O fabricante de pipas Henrique de Oliveira, 50 anos, morador do Bairro Alto, conhecido como Rei das Pipas, não acredita que o risco provocado pela pipa seja tão grande quanto o divulgado. Desde que me entendo por gente sempre houve histórias a respeito de pipa. Tudo é perigoso, andar de bicicleta é perigoso. Por isso existem os cuidados, disse. Apesar de seu posicionamento, Oliveira sempre dá recomendações aos garotos que compram o brinquedo em sua loja.
Mas as recomendações ainda são ignoradas. É o que ocorre com o estudante Thiago Rodrigo Baugartner, 14 anos, e os colegas, que moram no bairro Bacacheri, em Curitiba. Thiago disse que solta pipa quase todos os dias com os amigos. Quando o brinquedo cai em um fio de alta tensão, que fica a menos de 30 metros de onde brincam, eles admitem que tentam retirar a pipa, apesar dos riscos.


