O setor de inteligência da Polícia Militar no Paraná teria interceptado, há alguns dias, ligações telefônicas suspeitas, supostamente, de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) – organização criminosa que atua em presídios paulistas e tem integrantes também no Paraná – que estariam tentando agir em Londrina. Segundo uma fonte ouvida pela Folha no Fórum de Londrina, as conversas relatavam que a ação de sequestro, envolvendo algum promotor ou juiz da comarca, deveria ter ocorrido na última quinta-feira, o que acabou não acontecendo.
As autoridades judiciais seriam trocadas por integrantes do PCC que estão presos em presídios do Paraná. Dentre as vítimas mais prováveis estariam o juiz da 1ª Vara Criminal, João Luiz Cléve Machado, e o juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle.
As ameaças motivaram uma reunião na manhã de sexta-feira entre juízes do Fórum e o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães. Na ocasião, eles teriam discutido formas de melhorar a segurança pessoal dos magistrados e no policiamento do prédio do Fórum. Os promotores públicos também receberam um comunicado interno alertando sobre a possível ação de membros do PCC em Londrina.
O alerta fez com que algumas autoridades passassem a trabalhar e circular armados. No Fórum, porém, ninguém fala abertamente sobre o assunto, mas o clima é de aparente desconforto.
Entre os promotores, o fato foi encarado como ‘‘boato’’, já que não houve uma ameaça nominal concreta. ‘‘Ninguém recebeu nenhuma ameaça por telefone’’, assegurou um promotor criminal, que preferiu o sigilo. Mas outro profissional da área criminal ouvido pela Folha analisou que é possível que parte dos integrantes de facções criminosas de São Paulo, por estarem tendo dificuldades de agir naquele Estado, podem estar migrando para o Paraná.
O juiz da VEP foi procurado pela reportagem mas disse que não tinha informações à respeito. A Folha também tentou contato com o comando do 5º Batalhão, mas não houve retorno da solicitação até o fechamento desta edição. O diretor do Fórum, Mário Nini Azzolini, estava em licença médica, ontem.

mockup