Risco de morte no hospital foi alertado
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato dos Servidores da Saúde do Paraná (Sindisaúde) comunicou que vai procurar hoje o Ministério Público (MP) estadual para intervir no atendimento a menores infratores realizado pelo Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). As condições precárias de atendimento a esses pacientes vieram à tona no último sábado quando o adolescente Lucas dos Santos, 14 anos, foi morto por outros dois internos.
Segundo o Sindisaúde, em uma reunião entre a direção do hospital, membros da Secretaria de Estado de Saúde e o sindicato, no sábado de manhã, ficou claro que o problema havia sido comunicado pelos funcionários à direção várias vezes e nada foi feito. Além dos menores, o hospital atende, há 50 anos, pacientes em geral com problemas mentais.
A diretora do Sindisaúde, Mari Elaine Rodella, afirmou que a direção do hospital alegou, na reunião, que sabia do problema, mas que os juízes é que determinam o encaminhamento dos menores infratores para o hospital. A direção, segundo Mari, afirmou que entrou em contato com os juízes para expor o problema, mas nada mudou. ''Eles deveriam ter tomado uma atitude mais eficaz, então. Eles viam que o atendimento estava aumentando e os profissionais que trabalham no setor já estavam reclamando'', conta Mari. A reportagem da Folha não conseguiu entrar em contato com a diretora-geral do hospital, Suzana Mallmann.
O deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, autor da lei estadual que prevê um novo modelo de atendimento aos portadores de distúrbios mentais, divulgou nota ontem culpando a Justiça pela morte do adolescente. ''Os juízes desconhecem a realidade dos hospitais psiquiátricos'', afirmou. O deputado Dr. Rosinha defendeu também a demissão do secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier. A Secretaria de Saúde, por meio de sua assessoria, informou que não vai se manifestar sobre a declaração.


