Risco de epidemia no União da Vitória
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Jardim União da Vitória (zona sul) corre risco de uma epidemia de dengue. A informação é do supervisor de Endemias da Prefeitura de Londrina, Elson Belisário, que explicou que os agentes têm localizado muitos focos do mosquito Aedes aegypti e há confirmações de casos pelos exames rápidos realizados nas unidades básicas de saúde. No último Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (Lira), o bairro apresentou um índice de infestação predial de 8%, quando o tolerado pela Organização Mundial de Saúde é de 1%. "O que preocupa é que os casos não estão em um local concentrado, mas estão espalhados pelo bairro", disse Belisário, sem citar o número de casos.
O supervisor destacou que as características do bairro são diferentes de outros locais em que foram identificados casos da doença. "O bairro possui 70 quadras e uma topografia acidentada e isso dificulta ações dos agentes para aplicação de veneno por bombas intercostais, que pesam 25 kg", exemplificou. De acordo com dados do 2º Comando Regional da Polícia Militar, o União da Vitória tem 10.086 habitantes e 2.822 domicílios.
Belisário participou da reunião do Comitê Municipal contra Dengue ontem à tarde, quando solicitou aos servidores ligados à secretaria estadual de Educação que orientem os professores a alertar os alunos sobre o problema para que eles atuem como fiscais na vizinhança. "Isso funcionou muito bem no Jardim Santa Fé e acreditamos que é um dos caminhos para reduzir a infestação no bairro", declarou.
O promotor de Justiça de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, cobrou uma participação maior da comunidade para reduzir o índice de infestação. "À medida que o processo vai evoluindo, deve haver um aperfeiçoamento no combate à dengue. Este ano tivemos mais chuvas que no ano passado. Acredito que a mobilização da sociedade não tenha sido completa, é preciso envolver mais a comunidade", argumentou.
Atualmente, 242 agentes trabalham no combate à dengue e com as recentes contratações esse número chegará a 255 até maio, mas ainda faltariam cinco para atingir o número ideal preconizado pelo Ministério da Saúde. A frota utilizada também está longe da ideal. Dos 26 veículos necessários, o setor de Endemias possui 14 veículos próprios e outros 4 emprestados de autarquias ou secretarias. O empenho para o conserto dos outros veículos já foi emitido, mas há limitações físicas da oficina que realiza os reparos.
Outro problema enfrentado pelo setor de Endemias é que 20% dos endereços informados nos atendimentos das unidades básicas de saúde são inexistentes. "Desse total constatamos que havia sete casos confirmados de dengue e isso prejudicou todo o trabalho de bloqueio que deveríamos realizar", declarou o coordenador de Endemias, Jorge Sá. Ele informou que em muitos casos o paciente informa um endereço falso para ser atendido em uma unidade que possui mais apreço, mas isso compromete todo o trabalho do setor. Até ontem haviam sido registradas 1.864 notificações de suspeitas, com a confirmação de 259 casos.


