Risco de epidemia de dengue em Londrina
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Febre, dor no corpo, na cabeça e nos olhos, manchas vermelhas na pele. Esses são alguns dos sintomas de dengue, que nos casos mais graves pode até matar. Quem teve a doença é unânime em afirmar que nunca mais quer passar pela mesma situação, como a zeladora Sueli da Silva Ferreira, moradora na Vila Fraternidade (zona leste de Londrina), que contraiu dengue há cinco meses. "Tive muita febre, dor no corpo e ardência nos olhos. Não desejo isso para ninguém e tomo muito cuidado para nunca mais ter essa doença", conta.
Próximo dali, na região do Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (centro), a aposentada Altiva Machado Belezi e seu filho Jhony Nakasato também tiveram dengue e as lembranças não são boas. "Eu só tive febre, dor no corpo e também não queria comer, mas meu filho ficou muito mal. Todos os dias eu tinha que levá-lo no postinho (Unidade Básica de Saúde) para tomar soro, injeção. O pior é que nós ficamos doentes ao mesmo tempo e a minha neta teve que vir cuidar da gente. Por isso precisamos tomar cuidado para não ter de novo, eu nem tenho vaso de planta, para não ter perigo", diz.
Mesmo assim, muita gente não tem feito seu dever de casa e os índices de infestação em Londrina estão em níveis alarmantes. Na manhã de ontem, a Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde divulgou o primeiro Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa) deste ano, realizado entre os dias 6 e 11 deste mês, e que atingiu 7,4%. O índice está bem acima do aceito pelo Organização Mundial de Saúde que é de 1%. Isso significa que a cada 100 imóveis sete têm focos do mosqutio transmissor, Aedes aegypti.
Neste ano já foram feitas 246 notificações, com um caso confirmado (importado). Em 2013 foram 8019 notificações, com 1.199 casos confirmados. Os criadouros foram encontrados principalmente em vasos, pratos, frascos com plantas, bebedouros de animais e recipientes plásticos, latas e garrafas, mostrando que as pessoas não têm tido o cuidado necessário.
Região
Quando se analisa o índice de infestação por região, a central lidera com 9,01% de infestação. A zona oeste vem em segundo lugar com 7,95%, a leste em terceiro com 7,65%, seguida pela norte, com 7,29% e a sul, com 5,65% de infestação.
Entre os bairros que exigem mais atenção estão a Vila Fraternidade (zona leste) com 15,46%, o CSU (Centro) com 14,94%, Lindoia (leste) com 13,98%, Jardim do Sol (oeste) com 13,10%; e Chefe Newton (norte) com 11,47% de infestação.
No ano passado, o primeiro LIRAa chegou a 8%, mas Elson Belisário, supervisor do Setor de Endemias chama a atenção de que o número de focos encontrados em cada imóvel está maior do que o ano anterior chega a até 15 focos no mesmo local. "Precisamos que a população nos ajude a reverter isso. Londrina vive uma situação bastante grave, nos próximos dias estaremos recebendo o boletim do Ministério da Saúde como alto risco para uma epidemia e estamos bastante preocupados para (possíveis) casos graves da doença", destacou.
O LIRAa de Londrina ficou acima de municípios da região, como Cambé (4,2%), Florestópolis (3,7%) e Ibiporã (3,4%). Entretanto, é importante lembrar também que há grande circulação de pessoas entre esses municípios e uma epidemia em um afetaria todos os outros.

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