RISCO DE EPIDEMIA - Presença do Aedes aumenta na RML
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Em alguns municípios da Região Metropolitana de Londrina os índices de infestação do mosquito transmissor da dengue estão acima do 1% preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), apontando para um alto risco de proliferação do Aedes aegypti. Rolândia, Cambé e Ibiporã divulgaram nesta semana o primeiro Liraa (Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti) de 2018 e os números acenderam o alerta nas secretarias municipais de Saúde. Os municípios ressaltam que a grande intensidade de chuvas em janeiro colaborou para elevar o nível de infestação do mosquito e que diante dos índices registrados, já começaram a adotar medidas para impedir o avanço dos casos de dengue.
O Ministério da Saúde estabelece como satisfatório o índice abaixo de 1%. Entre 1% e 3,9% é considerado estado de alerta e acima de 3,9% já há risco epidemiológico. Das três cidades vizinhas a Londrina, apenas Cambé está em estado de alerta. Ibiporã e Rolândia estão com índice superior a 3,9%.
No município de Ibiporã, o Liraa foi feito entre os dias 15 e 19 de janeiro, período bastante chuvoso, e o índice de infestação ficou em 6,8%, com focos encontrados em todas as regiões da cidade. A cada 100 imóveis vistoriados, em quase sete foram encontrados criadouros do mosquito. No levantamento anterior, realizado entre 20 e 24 de novembro de 2017, o índice verificado foi de 2,2%.
Diante dos números elevados, a Prefeitura de Ibiporã intensificou as vistorias às residências, que passaram a ser feitas também aos sábados, e os arrastões. Mas o coordenador de Endemias do município, Aldemar Galassi, ressaltou que sem a ajuda da população o poder público não irá conseguir vencer a dengue. "Não esperávamos que o índice fosse subir da forma como subiu, mas as condições climáticas dão esse efeito bomba, foram praticamente 30 dias de chuva. Só que o clima, sozinho, não faz aumentar a dengue. A população tem bastante culpa porque todos os focos foram encontrados nos quintais, o que mostra que a população não está colaborando."
Neste ano, Ibiporã não registrou nenhum caso de dengue. Até o dia 22 de janeiro, foram 22 notificações da doença, uma por dia, em média. Em todo o ano passado, foram 437 notificações e 16 confirmações. O município enfrentou epidemias da doença em 2011, 2013, 2014, 2015 e 2016. Há dois anos, o número de notificações ficou perto de 2,8 mil e houve mais de 1,4 mil casos confirmados.
ROLÂNDIA
Em Rolândia, os resultados do Liraa realizado entre 23 e 26 de janeiro também apontam um índice elevado de infestação do mosquito transmissor da dengue, com 4,6%. Os bairros com maior presença do Aedes aegypti foram Água Verde, José Perazolo, Ernesto Francischini, San Fernando e imediações do Cemitério Municipal.
O diretor de Vigilância em Saúde do município, Rafael Dias, garantiu que não há risco de epidemia no município, apesar do índice acima de 3,9%. "Estamos com uma grande presença do vetor", destacou. "Para Rolândia entrar em epidemia, precisamos de 189 confirmações da doença e no atual período epidemiológico, que começou em agosto de 2017, estamos com 182 notificações e dez casos confirmados. O número de casos está controlado."
Dias lembrou, no entanto, que ainda há um período chuvoso pela frente, o que eleva o perigo de alta no número de confirmações da doença nos próximos meses. "Tivemos praticamente todo o mês de janeiro de chuva, o que inviabilizou o trabalho de campo dos agentes. Aí vem com o sol mais firme e assim vai ter mesmo uma maior proliferação do vetor. Com os números do Liraa, sabemos a localidade com maior quantidade do vetor e direcionamos os esforços para essas localidades, trabalhando a educação da comunidade e a remoção técnica dos criadouros, com os agentes entrando de casa em casa. Também estamos fazendo, desde segunda-feira (29), a aplicação do inseticida com as bombas costais", disse o diretor.
CAMBÉ
Na vizinha Cambé, o primeiro Liraa de 2018 indicou uma infestação de 3,4% contra 1,3% registrado no último levantamento de 2017, feito no final de novembro. O índice foi o menor dos três municípios da Região Metropolitana de Londrina, mas ainda assim preocupa porque coloca a cidade em estado de alerta para a dengue. "Já tomamos uma medida emergencial, que foi organizar um mutirão de limpeza no início da semana em uma determinada residência no jardim Silvino, que foi o bairro com maior índice de infestação, em torno de 3%. Na quarta-feira (31) fizemos um novo mutirão nesse bairro e estamos mapeando a cidade para organizar novos mutirões", informou a secretária de Saúde Pública de Cambé, Adriane Bertan Lombardi.
Desde julho de 2017 até agora, Cambé registrou a segunda maior média de casos confirmados da doença no Paraná. Foram 20 casos para cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Maringá, com 34,7 casos para um grupo de 100 mil.
A secretária também diz que o momento exige reforço na campanha de conscientização da população para que deixe de acumular em casa materiais que possam servir de criadouros para o mosquito. "Só vamos diminuir esse índice se a população se conscientizar", ressaltou Lombardi.
BOLETIM
Entre julho de 2017 e janeiro de 2018, a Sesa (Secretaria Estadual de Saúde) computou 24 casos de dengue em Cambé, 13 em Ibiporã e dez em Rolândia, como mostra o mais recente Boletim da Dengue, divulgado nesta semana. Na área de abrangência da 17ª Regional da Saúde, esses três municípios concentram o maior número de casos da doença, totalizando 47. Somados aos casos de Londrina, com 17 ocorrências, são 64 confirmações de dengue, todos os casos autóctones.


