O Jardim Ideal é o bairro com maior índice de infestação: foram encontrados focos do mosquito em 50% dos imóveis vistoriados
O Jardim Ideal é o bairro com maior índice de infestação: foram encontrados focos do mosquito em 50% dos imóveis vistoriados | Foto: Gustavo Carneiro



Dados do primeiro Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) realizado em Londrina em 2018 apontam 12,1% de infestação predial pelo mosquito transmissor da dengue. Esse é o segundo maior índice registrado na cidade. Em 1988, quando o levantamento começou a ser feito, a infestação chegou a 19%. O resultado, apresentado na quinta-feira (1) pelo secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, coloca Londrina em estado de alerta máximo contra a doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o índice acima de 3,9% aponta risco de epidemia.

A última pesquisa de 2017, apresentada em novembro, apontou infestação de 4,3%, o que já foi considerado preocupante. "Já sabíamos que janeiro teria índices altos, por causa do calor e da chuva, mas não imaginávamos que seria de 12%", lamentou Machado. Diante dos resultados, a secretaria vai iniciar várias ações para reduzir a infestação e, principalmente, tentar neutralizar o crescimento do vírus.

A região com maior índice é o Centro, com 14,06% de infestação. Em seguida vêm as regiões Leste (12,98%), Norte (12,84%), Sul (12,41%) e Oeste (9,44%). Foram inspecionados 9.672 imóveis dos 216.823 existentes em Londrina. O mosquito estava presente em 1.175 deles. Os principais criadouros identificados foram os chamados depósitos móveis,como vasos, pratos, frascos com plantas em bebedouros de animais (37,9%). O lixo foi o segundo tipo de criadouro mais frequente (36,2%).

No primeiro mês de 2018, foram notificados 351 casos de dengue em Londrina. Um deles foi confirmado, nove foram descartados e o restante continua em andamento. Entre as outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, há notificação de um caso de chikungunya e nenhum de zika vírus.

Machado apontou que, além do clima, o descuido da população em relação à limpeza das casas é outra causa do aumento da circulação dos mosquitos. "As pessoas precisam se conscientizar de que a dengue deve ser tratada com seriedade, pois em casos extremos pode levar à morte", disse.

Uma das ações para conter os insetos é o protocolo de um pedido à secretaria estadual de Saúde para passar o fumacê em Londrina de forma preventiva. Apesar de o veneno ser aplicado apenas após um limite de casos da doença, diante do Liraa de 12% será pedida uma exceção.

"Também vamos fazer um trabalho de campo mais intensivo nas regiões com índices mais altos, assim como ações educativas em locais de grande circulação, como igrejas e supermercados", explicou o secretário, que não descarta aumento de casos da doença. "Em 2006 o Liraa chegou a 8% e tivemos 5 mil casos. O índice é um alerta importante, precisamos tomar muito cuidado", pediu.

Ele explicou também que a quarta etapa da vacinação contra dengue está disponível para as pessoas que já tomaram a segunda ou a terceira dose, mas por enquanto não há previsão de iniciar em Londrina novos ciclos de vacinação.

Imagem ilustrativa da imagem RISCO DE EPIDEMIA - Londrina em alerta máximo contra a dengue



BAIRROS
O Jardim Ideal, na zona leste de Londrina, é o bairro com maior índice de infestação: foram encontrados focos do mosquito em 50% dos imóveis vistoriados. Moradores ouvidos pela reportagem apontam que a presença de um cemitério na vizinhança e depósitos de materiais reciclável aumentam o risco.

"O pessoal da fiscalização sempre passa nas casas, mas nem todo mundo cuida", lamenta o carreteiro Clemente Tomaz, que mantém plantas e cria galinhas em casa, mas garante que não deixa acumular água. "É uma questão de hábito, minha casa está sempre limpa. O problema é que não sabemos como está a casa do vizinho", preocupa-se.

Essa é a mesma opinião do vendedor Jorge Paulo de Lima, que já teve muitos familiares vitimados pela dengue e por isso não descuida da limpeza. "O problema é que a rua continua suja, o cemitério está cheio de lixo acumulado... A população precisa ter mais educação", pede.

FEBRE AMARELA
O secretário afirmou que, apesar da notificação de um caso de febre amarela em Curitiba, o Paraná continua livre da doença, pois a paciente foi contaminada no interior de São Paulo. Mesmo assim, os serviços epidemiológicos estão em alerta. "O risco sempre existe. Em Londrina, faremos nesta sexta-feira (dia 2) uma capacitação de servidores da Saúde sobre a doença", anunciou.

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