Apucarana - Quarenta famílias do Parque Bela Vista, um dos bairros mais pobres de Apucarana, foram orientadas pela Defesa Civil a deixar as casas onde moram por tempo indeterminado. O bairro está localizado na encosta de um barranco e os riscos de deslizamentos de terra são grandes. Cerca de 150 pessoas contaram com o apoio de 30 soldados do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIM) para retirar os móveis de casa e fazer a mudança. A prefeitura disponibilizou um colégio para abrigar quem não tinha pra onde ir.
A forte chuva que castigou a cidade na quinta-feira, deixando duas pessoas mortas, provocou ainda uma pane no sistema de abastecimento de água. Desde quinta-feira à tarde, mais de 95 mil pessoas, ou 80% da população, estão sem o serviço em casa.
Segundo o prefeito Valter Pegorer (PFL), que decretou estado de emergência no município, a situação deve ser normalizada até hoje à noite. Com as chuvas, a unidade de captação de água foi inundada pelo Rio Pirapó. Os motores elétricos das bombas ficaram submersos. A linha de energia da Copel foi destruída e, até ontem, o acesso inviabilizava a entrada de equipamentos pesados para a retirada e o concerto das bombas. ''São equipamentos de até uma toneladas, mas estamos nos dedicando para reativar o sistema até amanhã (hoje). Enquanto isso, implantamos alguma medidas para amenizar o problema'', disse o prefeito. Sete caminhões-pipa percorreram diferentes pontos da cidade abastecendo hospitais, cheches e asilos. A prefeitura implantou ainda mais sete reservatórios móveis de fornecimento de água. ''Isso não vai resolver o problema, mas é uma forma de preservar um pouco a higiene da população'', observou Pegorer.
No Parque Bela Vista, as pessoas ficaram surpresas com a interdição do bairro. A dona-de-casa Maria Júlia Rodrigues, 60 anos, que vive sozinha desde a morte do marido, se mudou para a casa de uma irmã, no bairro ao lado. Levou pouco coisa, só os objetos de algum valor. Ela acredita que ficará pouco tempo longe de casa. Enquanto dois soldados do exército carregavam seu guarda-roupa, ela recordava o dia da chuva. ''Moro aqui há 24 anos e nunca vi uma chuva daquela. Confesso que fiquei com medo, mas tenho certeza de que essa fase vai passar, daqui a pouco estarei de volta. Eu e minhas coisas'', garantiu.
Mais assustada, outra moradora, Maria Madalena de Deus, 65, que faz bicos de diarista no bairro, não deixou nada. Além do medo de um deslizamento casa dela fica em um dos pontos mais altos ela não quer dar chance para os ladrões. ''Mudei pra cá não faz nem três meses, a casa é alugada e já tenho que ir embora. Mas não deixo nada não. Já tem gente de olho nas minhas coisas'', contou a dona-de-casa, que cuida de uma irmã mais velha e de uma neta de oito anos. Todos, provisoriamente, foram morar com o filho de Dona Madalena.

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