Risco de dengue em Arapongas dá cadeia
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Arapongas - Um homem foi preso por favorecer a proliferação de focos de dengue num terreno baldio. Alberto Nunes Barreto teve sua prisão preventiva decretada na tarde de anteontem pela juíza Marcia Guimarães Marques da Costa, titular da Vara Criminal e Anexos de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). A prisão deve ser a primeira realizada no Paraná por causa da dengue.
Segundo o capitão Arnaldo Sebastião, coordenador regional da Defesa Civil, Barreto trabalha com reciclagem de pneus e há dois anos vem sendo notificado pelos agentes de saúde da cidade, sem sucesso. ''A Defesa Civil conversou com ele diversas vezes e ele sempre deu as costas, dizia para os vizinhos que tinha a Vigilância e os promotores nas mãos, estava zombando de nós. Quero que esta prisão sirva de exemplo para quem não se cuida e também não pensa no próximo'', disse o capitão, ressaltando que o crime pelo qual Barreto foi detido está prescrito no artigo 132 do Código Penal, que discorre sobre colocar a vida do outro em perigo.
No terreno onde o reciclador guarda o material, na Rua Martin Pescador Verde, no Parque Industrial, foram identificados mais de cem focos do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypt, e o local foi definido pela Vigilância como ponto estratégico de combate. A cada quinzena os agentes retornam ao terreno para uma nova fiscalização e, na última visita, constataram que nenhuma medida preventiva foi realizada pelo proprietário. Mais de uma centena da pneus estão abandonados no local onde o mato cresce dentro da borracha.
''Ele aproveita a casca e o meio do pneu, que tem valor, e o resto ele abandona no terreno'', comentou o capitão Sebastião, definindo os pneus como ''hotel cinco estrelas dos mosquitos''.
Sensibilizado pela família vizinha, um casal e três filhos pequenos, capitão Sebastião resolveu levar o caso diretamente à juiza, que decretou a prisão preventiva de Barreto depois de ver fotos dos pneus abandonados. ''Um dia eu cheguei aqui e encontrei os dois filhos da vizinha com febre, diarréia e largados no sofá. Foi a gota d'água'', desabafou.
As crianças doentes são Wellinton Rian, de apenas um ano, e Andria Carolina, cinco, filhos da dona de casa Alessandra Alves Ferreira. ''O menino apresentou os sintomas no começo do mês, então levei ele no posto de saúde. Ele fez um exame para saber se era dengue, mas ainda não saiu o resultado'', contou Alessandra, que tem medo de medicar o filho, apesar de ele ainda ter febre. ''Quando a febre sobe eu levo ele no posto, mas não dou remédio, só soro caseiro. A febre some por si'', disse.
Conforme a dona de casa, Barreto costumava descarregar os pneus diariamente no terreno, inclusive aos sábados e domingos. Questionada sobre a prisão do vizinho, cuja irresponsabilidade pode ter deixado seu filho com dengue, ela lembrou que ele nunca demonstrou preocupação alguma. ''Os agentes nunca encontraram nada aqui em casa, não sei nem o que dizer.''
Barreto, que permanece preso na delegacia de Arapongas, foi procurado pela reportagem, mas preferiu não falar sobre o assunto.


