Risco de contaminação é maior para técnicos
Curitiba - O técnico em radiologia é o principal interessado na correta aplicação dos recursos de segurança. "É ele que está sujeito a doses constantes de radiação, principalmente se a clínica não oferece equipamentos adequados de proteção", aponta Abel dos Santos, presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Paraná (Conter-PR). No entanto, apesar de regulamentada, a profissão ainda encontra dificuldades para ver a legislação do setor cumprida.
Segundo Santos, os principais problemas encontrados nas fiscalizações realizadas pelo Conter são a ausência de avental de chumbo e protetor de tireoide disponíveis para o técnico radiologista e para eventuais acompanhantes de pacientes. "Em um posto de saúde de uma prefeitura da Região Metropolitana de Curitiba verificamos que o técnico não tinha nem o aventual nem o protetor de tireoide. Ou seja, se fosse necessário acompanhar o paciente durante o exame, o operador ficaria completamente desprotegido", conta.
"O conselho não tem a função de fiscalizar a segurança, só o exercício da profissão, mas a gente procura ver em que condições os profissionais estão trabalhando", explica.
Os técnicos também precisam utilizar dosímetros (cartão que registra as doses de radiação recebidas pelo portador) sempre que estão operando o equipamento e se submeter a acompanhamento médico regular. "O dosímetro registra a variação das doses recebidas e sempre que o laboratório detecta uma alteração significativa comunica a empresa para que a razão disso seja estudada", explica o físico Danyel Soboll, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Santos, do Conter, destaca que a maioria dos técnicos tem medo de perder o emprego e não denuncia irregularidades. "Quando o conselho recebe uma denúncia, encaminha para os departamentos de vigilância sanitária do Estado e do município. Mas são poucos os que denunciam", conta.
A profissão de técnico em radiologia é regulamentada por lei que limita a carga horária semanal de trabalho a 24 horas. "Mas é comum ver técnicos trabalhando muito mais que isso", aponta Santos. "Há também uma concorrência do técnico com outros profissionais que operam equipamentos de radiodiagnóstico irregularmente", explica.
Recentemente o Conter paranaense firmou um convênio com o Conselho Regional de Enfermagem para combater a atuação de enfermeiros na operação de equipamentos de raio-x. "Muita gente aceita operar esse tipo de equipamento sem saber os riscos decorrentes disso", alerta.
No Paraná, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), há 1.138 técnicos em radiologia em atuação na rede pública de atendimento em 193 municípios do Estado (48,37% do total de cidades). No entanto, há o registro de operação de equipamentos de radiodiagnóstico em 290 municípios do Paraná (72,68%).
Para Danyel Soboll também é importante discutir a formação do vigilante sanitário que faz a fiscalização das instalações de clínicas de radiodiagnóstico e hospitais. "Não há como fiscalizar adequadamente se falta informação. O ideal é que o responsável pela auditoria de laboratórios radiológicos seja um técnico da área", diz.
"O técnico precisa saber o que pedir durante a inspeção, saber o que observar para identificar as falhas", aponta. Segundo a chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Maria Aida Meda, o departamento estadual possui pessoal especializado. "As 22 regionais da vigilância possuem técnicos qualificados", afirma.
No entanto, em 80% dos municípios do Estado, quem realiza, de fato, a fiscalização são os departamentos de vigilância sanitária municipais. "Se o município tem alguma dificuldade na fiscalização pode solicitar uma ação complementar do Estado", diz Maria. A Sesa, diz a coordenadora, realiza "capacitação em serviço" para garantir a qualidade da fiscalização. "Os técnicos do Estado visitam os municípios e realizam treinamentos", explica. (R.C.F.)





