Risco de Alzheimer diminui, aponta estudo
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Marcelo Leite<br>Folhapress 
Pesquisas elaboradas nos Estados Unidos e no Reino Unido mostram que diminuiu o risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer. O nível de escolaridade estaria associado a essa mudança. A notícia foi apresentada durante reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência. Nos Estados Unidos, o recuo de 2000 a 2010 foi de mais de 20%. Os dados são do Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS, na abreviação em inglês), da Universidade de Michigan, em que 20 mil pessoas de 50 anos ou mais são monitoradas a cada dois anos, desde 1992.
Kenneth Langa, de Michigan, informou que a prevalência de Alzheimer em pessoas acima de 65 anos recuou de 11,7% para 9,2%. Uma retração de 21,4%. O número absoluto de casos, no entanto, se estabilizou, já que o crescimento no número de idosos compensa a menor proporção deles que desenvolve a demência. Mais de 5 milhões de americanos estão nessa condição. No Brasil, estima-se que 1,34 milhão de pessoas tenham sido diagnosticadas com a doença.
Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge, apresentou os dados relacionados ao Reino Unido. O grupo repetiu, entre 2008 e 2011, a metodologia aplicada em 1989 e 1994 no Estudo sobre Função Cognitiva e Envelhecimento (CFAS, na sigla em inglês) em três áreas (Cambridge, Newcastle e Nottingham). Ao todo, mais de 7.500 pessoas foram examinadas.
A prevalência de casos da doença recuou de esperados 8,3% para 6,5%, queda de 21,7%. Brayne ressaltou que diferentes padrões de diagnóstico podem, contudo, distorcer as estatísticas que precisam ser analisadas com cautela.
QUALIDADE DE VIDA
A notícia mais animadora é que a demência, ao que parece, pode ser evitada, ou ao menos adiada. "Cerca de 30% dos diagnósticos poderiam ser evitados", concluiu Brayne, com melhor controle das condições de saúde dos idosos.
Como os estudos também investigavam os hábitos de saúde e a condição socioeconômica dos indivíduos, vários fatores estão associados a diminuição do risco de desenvolver Alzheimer como a ausência de diabetes e de hipertensão, por exemplo, assim como tabagismo. Além disso, a boa alimentação e a atividade física são fatores positivos: ingerir ao menos cinco porções de frutas e verduras e fazer exercícios são hábitos que protegem os idosos.
O nível de escolaridade também influencia no desenvolvimento da doença. Não se sabe como se dá essa proteção, apenas que parece associada com atividades intelectuais exigentes desde a juventude. Eileen Crimmins, da Universidade do Sul da Califórnia, apresentou resultados extraídos do HRS, similares aos de Langa, mas com mais detalhe sobre a quantidade de anos vividos por idosos com e sem comprometimento cognitivo, como Alzheimer.
No geral, ela detectou 1,8 ano de acréscimo na expectativa de vida "boa" para pessoas com mais de 65 anos, em média, no período 2000-2010. Em paralelo, houve diminuição de 0,4 ano com doença para os que desenvolveram demência.


