A Organização Mundial da Saúde estima que 10% da população possua alguma deficiência. A mais comum é a Síndrome de Down, provocada por um acidente genético. Estudos mostram que a cada 600 crianças que nascem 1 é portadora da síndrome, mas atualmente alguns geneticistas já trabalham considerando que a incidência é de um caso para cada 500 nascimentos.
A enfermeira Darci Aparecida Martins, que atua no Ambulatório de Síndrome de Down (ASD) do Hospital de Clínicas, diz que a ciência ainda não conseguiu descobrir o que está contribuindo para o aumento dos casos. ‘‘A partir do momento em que for encontrada a resposta, será possível também desenvolver métodos para evitá-lo’’, explica.
Down não é uma doença e sim uma síndrome, conjunto de sinais e sintomas, que não tem cura. Ela é provocada por um acidente genético na divisão da célula formada pela união do óvulo e pelo espermatozóide na concepção. Com isso, em vez de trazer 46 cromossomos, 23 da mãe e 23 do pai, o portador de Down traz 47 cromossomos, um a mais no genenúmero 21.
O geneticista Salmo Raskin diz que esse acidente pode acontecer com qualquer casal. Mas dois fatores podem favorecer o surgimento da síndrome: o histórico familiar e a idade da mulher gestante. Ele explica que o casal que já teve um caso de Down na família apresenta maiores probabilidades de gerar uma criança com a mesma deficiência.
As mulheres que decidem engravidar mais tarde também correm risco. O motivo é o envelhecimento dos óvulos, trazidos desde o nascimento, que ficam mais propensos a acidentes na divisão do ovo. Estatísticas mostram que o risco de uma mulher de 35 anos ter um filho Down é de 1 para cada 200 nascimentos. Aos 40 anos, a probabilidade aumenta de 1 para 100, e aos 45 anos, de 1 para 30 nascimentos.
A Síndrome de Down faz com que o portador possua algumas características anatômicas e fisiológicas. Nariz e cabeças achatados, olho puxado, espaço maior entre os olhos, orelhas baixas, uma única prega na palma da mão e a língua profusa. Esses estigmas podem surgir isoladamente, mas há pessoas que trazem todos ao mesmo tempo.
A pessoa Down ainda apresenta um comprometimento intelectual, mas que não a impede de ter uma vida normal. ‘‘Ela anda, fala, brinca, corre, dança e é capaz de realizar outras atividades’’, diz a enfermeira. ‘‘A diferença é que ela vai conseguir fazer com mais atraso o que uma criança dita normal faz’’.
A redução deste atraso depende da estimulação visual e motora da criança. O amor e carinho dos pais também é fundamental no processo, segundo Darci Martins. É por isso que os técnicos alertam para a importância do bebê ser acompanhado desde o nascimento por todos os especialistas capazes de ajudar em seu desenvolvimento.(A.R.)

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