Risco, agora, é a dengue hemorrágica
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
Célia Baroni 
Aumenta o perigo da dengue hemorrágica em Londrina. A situação preocupa a Vigilância Sanitária e a Fundação Nacional de Saúde (FNS). O supervisor da regional de Londrina da FNS, Elson Belisário, diz que foram confirmados dois casos de dengue autóctones (quando a pessoa é contaminada na própria cidade). Ambos foram provocados pelo vírus da dengue tipo 2.
Até agora apenas o vírus clássico da dengue havia sido detectado em Londrina. Com a presença de outro tipo de vírus, todos que já tiveram a doença correm o risco de contrair a dengue hemorrágica. Trata-se de uma forma mais grave da doença, resultante de uma pane do sistema imunológico. Pode levar à morte.
O Departamento de Epidemiologia da Prefeitura estima que, nos últimos dois anos, mais de 2 mil pessoas tiveram dengue na Cidade. Entre 96 e 98, foram confirmados cerca de 410 casos de dengue. Só este ano já foram notificados 128 casos, seis deles confirmados. Para cada caso confirmado, a epidemiologia calcula que cerca de cinco pessoas tiveram dengue. Não é um número exato, mas se aproxima da realidade porque a maioria dos casos não chega a ser notificada. Quando o quadro é leve as pessoas não procuram atendimento médico, diz a médica do departamento de Epidemiologia da Vigilância Sanitária, Marisa Galimberti.
Ela explica que existem quatro tipos de vírus da dengue. Quando a pessoa contrai a doença, fica imune ao vírus que a infectou. Só volta a ter dengue se for contaminada por outro tipo de vírus. Quando ocorre nova infecção, o quadro é mais agudo. O paciente pode apresentar hemorragia interna e externa.
O novo vírus da dengue encontra Londrina em uma situação ideal para se alastrar. No último levantamento, a FNS constatou que o índice de focos do Aedes aegypt - mosquito transmissor da dengue - na cidade, é de 20%. Em alguns bairros o índice ultrapassa os 40%. Só existe um jeito de combater a doença e evitar uma epidemia: acabar com o mosquito eliminando os criames. O problema é que a população não está compreendendo a gravidade da situação e não está colaborando, afirma Belisário.
Ele explica que a maioria dos focos está dentro e nos quintais das casas. Os grandes vilões são os vasos de plantas mantidas apenas com água, que representam 50% dos focos, e as piscinas abandonadas. Um exemplo, diz, é o Jardim São Lourenço (zona sul), onde um trabalho de conscientização e limpeza, em 96, conseguiu reduzir a praticamente zero o índice de focos no bairro. Hoje o índice de infestação no São Lourenço é de 30%. A maioria dos focos está dentro dos vasos de plantas. As pessoas resistem e não atendem às nossas orientações, lamenta.
A FNS faz o acompanhamento e destruição dos focos. Quando os técnicos não conseguem convencer a pessoa a trocar a água do vaso por terra ou outra alternativa que não beneficie a proliferação do mosquito da dengue, os vasos recebem uma dosagem de inseticida. A duração do veneno é de 90 dias, mas Belisário conta que a dona de casa fica com medo de danificar a planta e joga fora a água com o inseticida, voltando a oferecer um ambiente perfeito para a proliferação dos mosquitos.
O problema não é detectado só nos bairros da periferia. No centro e bairros mais ricos, além dos vasos, a Fundação enfrenta donos relapsos que deixam as piscinas sem tratamento ou abandonadas. Quem não quer cuidar da piscina, que pelo menos coloque uma tela para evitar que o mosquito da dengue use o local como recipiente para procriar, orienta.


