Ao contrário do ramal ferroviário Jaguariaíva-Ourinhos, que talvez possa ser reativado, desaparecem os últimos sinais do sub-ramal Wenceslau Braz-Figueira, construído nas décadas de 20, 30 e 40. Retirados os trilhos em toda a extensão, muitas pessoas se apossaram de lotes na outrora faixa de domínio do trem, que as prefeituras compraram da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
Os posseiros vão ficando e os prefeitos permitem para evitar a perda de população, desde que a economia regional enfraqueceu na década de 70, ao término do ciclo cafeeiro. O consumo de carvão ficou restrito à termelétrica de Figueira e à indústria de papel em Telêmaco Borba. Enquanto isso, as rodovias avançaram e o sub-ramal ferroviário foi desativado, ficando as histórias.
''Aqui, o trem passou pela última vez em 1974, tenho certeza porque nesse ano nasceu o meu filho mais novo'', afirma Leonor do Espírito Santo Rosa, desde 1959 em Euzébio de Oliveira, bairro rural no município de Ibaiti. Ali, trabalhadores rurais ocupam as casas da antiga vila dos ferroviários. Alguém transformou o pátio de manobras em pastagem cercada por arame farpado e um comerciante instalou máquina de descascar milho dentro da estação, poluída pelo estrume e a urina de bovinos que entram e saem. ''Aqui era bom. Tinha restaurante, bar, farmácia e loja de tecidos. A gente ia de trem a Ibaiti, num instantinho chegava'', diz Leonor, que mora em casa própria, grande e avarandada.
A maior parte dos 117 quilômetros de sub-ramal estavam dentro de um só município: Tomazina, então abrangendo as ''povoações'' Barra Bonita (futura Ibaiti), Brazópolis (Wenceslau Braz), Cerradinho Jaboti, Japira e Pinhalão. Conforme estatística da administração do prefeito Avelino Vieira (1933-1941), o município tinha 250 mil alqueires com 2,2 milhões de cafeeiros em 106 fazendas, 31 milhões de pés de cana-de-açúcar abastecendo 43 engenhos e alambiques, grande produção de milho e feijão; criação de bovinos e suínos. Havia 1 fábrica de sapatos, 1 de banha, 2 de foices e uma de arreios, 132 serrarias e quatro máquinas de café entre outras indústrias. O carvão era uma das riquezas minerais no município.
Explorava-se rudimentarmente o carvão em Barra Bonita desde 1916, e racionalmente em Brazópolis a partir dos anos 20, iniciativa do conde Penteado da Silva, com o advento do ramal da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. O conde empregou imigrantes europeus e substituiu pequenos caminhões por uma correia transportadora entre a boca da mina e a ferrovia, colocando o carvão diretamente nos vagões, segundo o historiador Joaquim Gil. Em poucos anos a mina do conde se exauriu e a de Barra Bonita foi vendida ao industrial Albino Souza Cruz, da companhia de cigarros, que teria influído para que se construísse o sub-ramal.
A exploração carbonífera se desloca para Lisímaco Costa (atualmente Figueira), Zoilo Simões faz o primeiro furo em 1.º de abril de 1943 e o sub-ramal ferroviário chega ao lugar em 1948. Inaugurada em 1963, a termelétrica de Figueira aumenta gradativamente a produção, até 30 mil kilowatts pela queima de 600 toneladas de carvão lavado a cada 24 horas.
Desde então, a cidadezinha cresceu e só a ferrovia desapareceu.

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