Pitanga - O Paraná concentra 220 das 250 igrejas ucranianas existentes no País. A grande maioria faz parte do catolicismo; apenas 5% são ortodoxas. A explicação está no número de descendentes - 80% vivem no Paraná; os demais estão em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os antepassados começaram a chegar em 1891, mas a principal leva de imigrantes ucranianos veio quatro anos depois. No Paraná, eles encontraram condições favoráveis para desenvolver as culturas de trigo e de café, expandindo-se para outras áreas em seguida.

''As pessoas confundem muito, acham que a Igreja Ucraniana não é católica. Fazemos parte do catolicismo, somos unidos a Roma, ao episcopado católico brasileiro, temos os mesmos sacramentos, apenas com uma maneira diferente de expressar a fé'', conta o bispo da Paróquia Ucraniana Nossa Senhora da Glória de Pitanga (Centro), Meron Mazur. Já o rito ucraniano ortodoxo não aceita a influência de Roma e segue o rito latino, explica o arcebispo ortodoxo da América do Sul, Jeremias Ferens.

Tanto no rito ortodoxo quanto no católico, a missa é celebrada de costas para o público e em idioma ucraniano, o que significa que o sacerdote conduz o povo para Deus. Ícones são usados nas paredes. No altar, a simplicidade impera, é onde fica o tabernáculo que abriga as partículas feitas de pão ázimo (sem fermento), utilizadas no lugar da hóstia e do vinho. A comunhão sempre é entregue nas duas espécies em memória à Santa Ceia realizada por Jesus com os discípulos. Na Ucrânia não se utiliza o pão seco, ele é cortado na hora. No Estado, pela praticidade para as viagens, as partículas são preparadas e secas durante a semana pelas religiosas. As visitas às comunidades espalhadas pela área rural geralmente acontecem aos finais de semana.

No Paraná, apenas três das igrejas ucranianas são tombadas pelo Patrimônio Cultural do Estado. Estão localizadas em Mallet, Prudentópolis e Antônio Olinto. A mais antiga, datada de 1903, é a igreja São Miguel Arcanjo de Mallet. Estes dados estão no livro ''Igrejas Ucranianas - Arquitetura da Imigração no Paraná'', de autoria dos arquitetos Fábio Domingues Batista, Marialba Rocha Gaspar Imaguire e Sandra Rafaela Magalhães Correa. Sob a coordenação de Key Imaguire Júnior, incentivo do Instituto ArquiBrasil de Curitiba e apoio do programa Petrobras Cultural, o livro será lançado hoje, em Prudentópolis.

Segundo Batista, o livro é fruto de um trabalho de pesquisa de quatro anos. ''A riqueza cultural de origem ucraniana integra o patrimônio cultural brasileiro, precisamos dar importância a isso. Os ucranianos têm um patrimônio cultural e arquitetônico vasto que ainda está escondido.''

Os principais exemplares das igrejas ucranianas estão nas cidades de Prudentópolis, Ponta Grossa, Marechal Cândido Rondon, Mallet, Guarapuava, Pitanga, Apucarana, Paulo Frontin e União da Vitória.

Serviço- As maquetes e os painéis da exposição ficam no Museu do Milênio (Rua Cândido de Abreu s/nº), em Prudentópolis, até 2 de agosto

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