A água poluída recebe até 60% mais produtos químicos do que o normal para atingir os padrões de potabilidade exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas a poluição pode chegar a um nível em que a água não tem mais condições de ser recuperada para o abastecimento.
Outro problema gerado pela poluição é o encarecimento do processo de tratamento de água. Os rios mais sujos, segundo o gerente de produção de água da Sanepar, Agenor Zarpelon, são o Itaqui e o Palmital, afluentes do Iguaçu. Ele acredita que um dos problemas mais graves sejam as ocupações irregulares que, além de poluírem, estão sob o risco de enchentes e doenças. Cerca de 70 mil pessoas vivem em áreas de mananciais em Curitiba.
A Sanepar já vistoriou 22 mil ligações de esgoto de Curitiba, constatando que 40% das casas despejavam esgoto nos rios, em vez de nas galerias de esgoto. Segundo o gerente da unidade de esgoto de Curitiba, Renato Queiroz, 90% das irregularidades foram corrigidas. Mas a vistoria foi feita apenas em 10% das 260 mil ligações de esgoto existentes na cidade. Isto quer dizer que os rios podem estar recebendo o esgoto de mais de 400 mil habitantes. As ligações irregulares são mais comuns em bairros mais antigos e independem do poder aquisitivo. ‘‘Existem casas de classe média alta despejando esgoto nos rios’’, diz Queiroz. O controle das ligações clandestinas é feito com a colocação de corantes nos vasos sanitários e a verificação do despejo no leito dos rios nas proximidades. (M.K.)

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