Emerson Cervi
de Curitiba
Apesar do discurso corrente de cidade ecológica, os rios urbanos de Curitiba estão mortos. Entre os responsáveis estão o índice insuficiente de domicílios com rede coletora de esgoto, canalização de trechos e utilização das margens dos mananciais para ocupação humana.
A favelização dos fundos de vale, além de colaborar para a poluição dos rios, degrada a vegetação ciliar, prejudicando a manutenção das condições ambientais mínimas necessárias para manter o ecossistema em equilíbrio. ‘‘Infelizmente, a ocupação indevida, as formas de tentativa de ‘urbanização’ desses trechos e a falta de tratamento do esgoto domiciliar transformaram os mananciais em verdadeiras cloacas urbanas’’, diz o presidente da Associação Paranaense de Preservação aos Mananciais do Alto Iguaçu e Serra do Mar (Appam), Haroldo Osmar de Paula Júnior.
Um exemplo é o Rio Belém, que passa pelo centro da cidade. Grande parte dele está canalizada. Nos trechos não-canalizados, o rio recebe esgoto domiciliar e industrial clandestino. Segundo o coordenador de meio ambiente da Sanepar, Péricles Weber, pelas condições de coleta e tratamento de esgoto da região central de Curitiba, deveria haver peixes no Rio Belém.
‘‘Isso não acontece porque muitas pessoas de outras regiões fazem ligações clandestinas de esgoto na rede coletora de águas pluviais e os dejetos seguem diretamente para o rio, sem nenhum tratamento’’, explica. O Rio Belém é apenas um exemplo do que acontece com a maioria dos trechos urbanos de rios que passam por Curitiba.
Atualmente, 61% dos domicílios de Curitiba estão ligados a uma rede coletora de esgoto e 80% do material recolhido passa por algum tipo de tratamento antes de voltar ao meio ambiente. Diretores de organizações não-governamentais (ONGs) ligadas ao meio ambiente dizem que o índice é menor.(E.C.)

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