Rios contaminados sofriam com o lixo
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de julho de 2000
Carmem Murara e Israel Reistein De Curitiba 
Independente da contaminação ocorrida semana passada com o vazamento de óleo da Petrobras, os rios Barigui e Iguaçu há muito tempo agonizam e podem ser considerados praticamente mortos na região de Curitiba e Araucária. Os resíduos industriais e o lixo orgânico são despejados todos os dias sem que haja um controle preciso por parte dos órgãos públicos.
O Rio Iguaçu, que oficialmente é classificado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente na categoria número 2 (média poluição), na prática está no nível 4, ou seja, completamente poluído e sem condições de uso. A classificação real do Iguaçu foi feita por um grupo de pesquisadores, ano passado, e publicada no livro Qualidade das Águas Internas do Estado do Paraná. Um dos itens que indica a realidade do Iguaçu é a quantidade de coliformes, acima dos 20 mil por 100 mililitros tolerados na categoria 4.
A oxigenação no rio é praticamente inexistente, o que pode ser comprovado com pela pouca variedade de peixes. As espécies que sobraram estão contaminadas com substâncias químicas despejadas no Iguaçu por indústrias de papel, madeireiras, metalúrgicas e até pelos agricultores que utilizam os fertilizantes em áreas muito próximas às margens. Muitas indústrias tratam parcialmente os efluentes e acabam jogando na água metais pesados e material orgânico, afirma o educador ambiental da Secretarial do Meio Ambiente de Araucária, Eduardo Kuduasvski.
O Alto Iguaçu é considerada uma bacia com estágio avançado de degradação. Só a partir de São Mateus do Sul é que ele começa a se recuperar, diz Kuduasvski. A contaminação do Iguaçu se dá a partir dos municípios de São José dos Pinhais, Colombo e Pinhais, que estão mais próximos das nascentes.
O que aconteceu com o Iguaçu, na avaliação do educador ambiental, foi uma opção consciente pela destruição do rio. As cidades sempre usam um rio para captar água e outro é sacrificado com os dejetos, explica.
O presidente da Associação Paranaense de Preservação dos Mananciais do Rio Iguaçu, Haroldo de Paula Júnior, concorda com Kuduasvski. Enquanto o rio serve para o abastecimento público tudo é feito para cuidar dele. Como o Iguaçu não é para abastecer a cidade, eles (órgão públicos) deixam que se acumule o lixo, diz Paula Júnior.
O gerente geral de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Petrobras, Rui Fonseca, entende que a contaminação com óleo só agravou uma situação pré-existente no Iguaçu. Fonseca diz que é preciso interromper os focos de poluição e para isso é necessária a parceria com os governos municipal e estadual, além do apoio das Organizações Não Governamentais (ONGs). Caso contrário, o trabalho de limpeza acaba não tendo resultado, afirma.


