Rio Verde foi poluído com óleo e graxa
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2001
Katia Michelle De Curitiba 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divulgou ontem laudo técnico sobre o vazamento de óleo no Rio Verde, que há 11 dias prejudica o abastecimento de água para população de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. O relatório identificou que é óleo e graxa o produto vazado no rio, mas não aponta o responsável pelo acidente. O documento será entregue hoje à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, que vai instaurar inquérito para apurar a responsabilidade pelo vazamento. Segundo a Sanepar, as chuvas estão atrapalhando a limpeza do rio e o tratamento da água. O abastecimento só deve voltar ao normal na quinta-feira.
Ontem a Sanepar deu início às obras de desvio do córrego onde foi identificado o vazamento. A medida, admite o gerente de Operações da Sanepar, Péricles Weber, é paleativa, mas deve garantir o tratamento da água. Ele explica que mesmo depois de ter sido feita a limpeza, o óleo voltou a contaminar a água porque se desprendeu das margens do rio. O processo foi acelerado com as chuvas. As águas do córrego desembocam no Rio Verde, que abastece cerca de 30% da população de Campo Largo.
Desde o último dia 27, quando foi verificado o vazamento, foram colocadas três barreiras de contenção no Rio Verde e uma no córrego. As barreiras, cedidas pela Petrobras, não foram suficientes para conter o óleo. Por isso, a Sanepar está desviando o córrego em quase um quilômetro de extensão. As obras devem terminar amanhã. Enquanto isso, a população está sendo abastecida com auxílio de caminhões-pipas.
Mesmo considerando o desvio do córrego como uma agressão ao ambiente, o IAP argumenta que esta é a única solução para garantir a qualidade da água.
O laudo técnico elaborado pelo IAP vai integrar o processo de investigação para apurar os responsáveis pelo vazamento de óleo. A partir da abertura oficial do inquérito, a Delegacia do Meio Ambiente tem 30 dias para concluir as investigações. A delegacia iria ouvir ontem depoimento do dono do posto de gasolina Saguaru, apontado como suspeito de ter sido o foco de vazamento, Sérgio Stan. O depoimento foi transferido para hoje à tarde porque Stan alegou não ter tido tempo de contratar advogado. A Folha tentou falar com o proprietário, mas ele não foi encontrado. O posto de gasolina fica na BR-277, a menos de dois quilômetros da Estação de Água de Cercadinho, e foi embargado pelo IAP.


