Rio sobe em Nova Cantu e deixa mais de 100 desabrigados
Mais de 100 pessoas - a maioria crianças - estavam desabrigadas ontem à tarde em Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão) devido às chuvas que começaram a cair na madrugada de domingo. O problema foi agravado pelo rompimento de uma represa nas proximidades da cidade, que fez o Rio Tonete, que é pequeno, encher rapidamente.
O prefeito Martim Krupek (PDT) decretou estado de emergência no município.
Os desabrigados estão alojados na Escola Municipal Castro Alves, que teve que dispensar os mais de 700 alunos porque as 12 salas de aula foram transformadas em abrigo para quem teve as casas inundadas.
No domingo, cerca de 500 pessoas tiveram que sair de casa às pressas quando o Rio Tonete começou a subir. As chuvas que haviam parado no domingo à tarde voltaram ontem de manhã, mas em menor intensidade. O rio voltou ao normal e a maioria dos desabrigados pôde voltar para casa, disse ontem o servidor público Hélio Chelni. Ele mora em Nova Cantu há 23 anos e conta que nunca tinha visto inundação desse porte na cidade.
Ontem as pessoas que ficaram desabrigadas passaram praticamente todo o dia trabalhando na limpeza das casas. Mais de 100 pessoas, no entanto, ainda não têm condições de voltar porque as casas foram muito danificadas, disse Chelni.
Mesmo quem conseguiu voltar para casa teve que contar com a ajuda da comunidade, que doou alimentos, roupas, colchões e acolchoados. Os moradores de Nova Cantu e de Campina da Lagoa estão ajudando, reforçou o servidor. A diretora da Escola Castro Alves, Sônia Maria da Costa Santos, ainda não sabia, ontem à tarde, se as aulas poderão ser reiniciadas hoje.
A dona de casa Miquelina do Nascimento Laurindo, 47 anos, diz que perdeu praticamente toda a roupa da família. A água ficou pela cintura e não deu tempo de salvar quase nada, contou. Ontem de manhã ela foi para casa, mas teve que voltar à escola. Não dá para voltar, lamentou. Os móveis ainda podem ser aproveitados, mas perdemos toda a comida, os colchões e as cobertas. Miquelina mora numa casa de quatro peças com o marido, que é diarista da Prefeitura, e dois filhos. Ainda bem que ninguém ficou ferido, consolou-se.





