Paulo Ubiratan
De Londrina
O Rio São Domingos, que corta o Conjunto João Turquino (zona oeste de Londrina) está contaminado por coliformes fecais. Segundo análise microbiológica do Centro de Estudos e Laboratório Ambiental de Londrina, a água do rio apresenta 16% a mais de coliformes fecais por 100 milímetros cúbicos. Apesar do alto grau de poluição, crianças e adolescentes tomam banho embaixo de uma ponte no bairro e a maioria delas está com diarréia e doenças de pele.
O representante do Conselho Comunitário de Saúde da Zona Oeste, Aroldo Costa, pretende desenvolver no bairro o projeto conhecido como ‘‘Águas Limpas’’. ‘‘A nossa proposta é despolir totalmente o Rio das Pedras e formar aqui (embaixo da ponte), um lago para o entretenimento dos moradores. Para isto, vamos primeiro descobrir quem está provocando a poluição. Temos informações de que a Sanepar é a culpada de descarregar sujeira no rio’’, afirmou Aroldo Costa.
O diretor-regional da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, disse à Folha que não tem procedência a denúncia de que a empresa está poluindo o manancial. Ele disse que existe perto do leito do rio, no município de Cambé, uma estação de tratamento de esgoto. ‘‘Esta estação está funcionando normalmente, sem nenhum vazamento. Mesmo assim checamos outros setores que poderiam existir problemas e nada encontramos de anormal’’, afirmou.
Em virtude das denúncias de poluição, o responsável pelo departamento de análise do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina, Deodoro Kauwabara, prometeu para hoje analisar as águas do rio. Se confirmado o percentual dos coliformes fecais, ele vai mandar o laudo à Vigilância Sanitária, para que o órgão tome as devidas providências junto aos moradores daquele bairro. ‘‘Trata-se de saúde pública e devemos ter o máximo de cuidado a respeito’’, afirmou Deodoro.
Outro motivo de queixa dos moradores são as enxurradas provocadas pelas chuvas e a falta de um telefone público no bairro, que numa situação de emergência e perigo não tem condição de chamar os bombeiros ou a polícia.
Uma das maiores vítimas das fortes chuvas é Inês de Oliveira, que mora com o marido e mais sete filhos menores na Rua 30. Ela contou que o primeiro dia de chuva deste ano as fossas com fezes e detritos dos vizinhos que moram na parte mais alta do bairro transbordaram e a sujeira, junto com barro e pedras, invadiu seu barraco. ‘‘Foi uma tragédia naquela noite. Tivemos que sair de casa no escuro, pisando nas porcarias’’, afirmou Inês. Segundo os moradores, o motivo principal das enxurradas é a falta de calçamento e de acostamento dividindo as ruas.
Além deste problema, os moradores queixam-se que são discriminados pela péssima fama que o Conjunto João Turquino tem de abrigar ladrões. ‘‘Estamos totalmente marginalizados em todos os aspectos. Como em qualquer lugar, aqui no João Turquino também existe gente ruim. No entanto, posso garantir que a maioria dos moradores é trabalhadora e honesta. A única coisa que infelizmente aqui todos sofrem é de miséria’’, desabafou Minavilde da Silva, que é conhecida por todos os moradores como ‘‘Negona’’. Ela e Aroldo Costa irão hoje solicitar providências urgentes junto à Sanepar, prefeitura e Sercomtel.Contaminado por coliformes fecais, o Rio São Domingos leva diarréia e doenças de pele aos moradores do João Turquino
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