O Rio Iguaçu começa a ser represado pela última vez, exaurindo suas forças em termos de oferta de energia elétrica, com o fechamento das comportas da Hidrelétrica de Salto Caxias, construída pela Copel encravada entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu. O lago começará a ser formado nos próximos dias para que até dezembro estejam acumulados mais de 3,5 bilhões de metros cúbicos de água sobre a barragem, de 1.083 metros de comprimento por 67 metros de altura.
O volume de água permitirá o giro da primeira das quatro turbinas e, a seguir, mais uma a cada três meses. Juntas, fornecerão 1.240 MW de energia, ao custo global de R$ 1 bilhão. Salto Caxias, com obras iniciadas em janeiro de 1995, é o último aproveitamento energético previsto para o Iguaçu. O rio está pontilhado de usinas, ao longo de seus 1.320 quilômetros, das nascentes na Serra do Mar, a foz, no Rio Paraná, fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina.
O Iguaçu é um rio genuinamente paranaense e a sua calha apresenta formação hidrológica adequada para geração de energia. Entre os reservatórios mais importantes em seu curso (e afluentes), os alagamentos somam mais de 493 km2, somando-se as usinas de Salto Santiago (230 km2), Salto Osório (63 km2), Foz do Areia (140 km2) e Segredo (82 km2).
O primeiro aproveitamento do Iguaçu ocorreu na década de 60, com a pequena usina de Salto Grande do Iguaçu, com 15,2 MW de potência, desativada em 1980 para dar lugar ao reservatório de Foz do Areia. Os grandes projetos começaram a partir da década de 70. O primeiro foi Salto Osório, com 1.050 MW. Em todo o território paranaense, os demais reservatórios ocupam 2.270 km2. A Itaipu, construída no Rio Paraná, é responsável pela maior área alagada.
Dos 1.460 km2 do lago de Itaipu, 656 estão no território paranaense e 800 no Paraguai. Usinas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), no Rio Paranapanema, que divide São Paulo e Paraná, têm no conjunto 841 km2 de áreas alagadas. Entre as usinas de maior porte instaladas no Estado, o alagamento de Caxias será o menor. O lago será formado por cerca de 36 km2 da própria faixa do rio, representando alagamento de 96 km2 de terras.
A preservação de terras é possível por seu grande desnível ao longo do curso e pela profundeza da calha. O represamento de Caxias chegará a 92 quilômetros rio acima, na altura da Usina de Salto Osório, encobrindo terras de nove municípios do Oeste e Sudoeste. Em agosto, foi desativada a pequena Hidrelétrica Júlio de Mesquita Filho, a 80 quilômetros de Caxias, localizada na foz do Rio Chopim. Ela ficará submersa no reservatório.

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