Rio está ameaçado, dizem pequisadores
O rio com a maior biodiversidade de espécies animais e vegetais do Paraná está ameaçado. A proposta de instalação de uma Usina de Mauá tem deixado em alerta os especialistas e pesquisadores, unânimes em afirmar que os impactos ambientais e sociais serão irreversíveis.
Conforme os pesquisadores, que integram um grupo de estudos da bacia do Rio Tibagi desde o final da década de 80, a área estudada para a instalação da usina é a pior sob o ponto de vista do impacto ambiental. Segundo Torezan, essa é uma área prioritária para conservação. ''Ali tem cerrado, campos sulinos, floresta de Araucária, Mata Atlântica. É uma área rica em biodiversidade. É a terceira área no Paraná em cobertura florestal, depois da Serra do Mar e da região de Foz do Iguaçu'', justificou o botânico.
Ele destacou ainda o impacto sobre a qualidade da água do Tibagi, que abastece a maioria dos municípios paranaenses, inclusive Londrina: ''A qualidade da água cairá, acarretando em problemas para a população''.
Uma característica do Tibagi que seria afetada é a sua capacidade de auto-recuperação. ''A própria origem do nome indígena - Tibagi - significa 'água corrente''', lembrou Ribeirete, do Copati. O Tibagi é um rio de corredeiras - possui 762 metros de variação de altitude entre a nascente e a foz. Como as águas ganham velocidade, há grande capacidade de depuração dos poluentes.
A professora Sirlei Bennemann, especialista em ictiologia (estudo dos peixes), ressaltou que o Tibagi é o terceiro rio em extensão e destacadamente o de maior diversidade de peixes do Estado. ''Duas importantes espécies podem desaparecer com a construção da usina: o dourado e a pirapitinga, restrita àquela região''. Além disso, há quatro novas espécies de peixes que estão para serem catalogadas. ''Uma única espécie já justifica a não alteração do ecossistema. Construir uma barragem nesta região seria cometer um crime ambiental''. (C.V/E.Z)





