Na nova onda de crescimento que a Região Metropolitana de Curitiba vive nessa década de 90, alguns municípios vivem o outro lado da moeda, e chegaram a perder população nos últimos anos. É o caso de Rio Branco do Sul, que tinha 31 mil habitantes em 1980 e perdeu quase um terço de sua população com o desmembramento de Itaperuçu, novo município criado em 1991.
Os efeitos da divisão territorial para Rio Branco do Sul não pararam por aí e, entre 1993 e 1996, o número de habitantes do município caiu de 27 mil para 23 mil. A economia da cidade depende quase que exclusivamente de uma indústria de cimento e da agricultura de subsistência. ‘‘Atendo diariamente 150 pessoas na prefeitura e 90% vêm atrás de emprego’’, diz o prefeito municipal, João Dirceu Nazzari.
A proximidade de Curitiba acaba servindo como entrave para o desenvolvimento do município. ‘‘Todos os dias, 50 ônibus circulam entre Curitiba e Rio Branco levando trabalhadores’’, conta o prefeito. Até há pouco tempo, a cidade não tinha hospital e o atendimento médico era feito apenas num posto de saúde, ou com a transferência dos pacientes para a capital. ‘‘A prefeitura tinha cinco ambulâncias só para ficar levando pacientes para Curitiba’’, diz Nazzari, que como primeira medida, comprou um hospital particular que hoje atende moradores da região 24 horas por dia.
A falta de estrutura do município estimulou o comerciante Carlos Sergio Zech a abrir, há três meses, uma panificadora na principal avenida de Rio Branco do Sul. ‘‘Como nessa rua não tinha nenhuma, achei que era uma boa idéia’’, diz ele, que antes ganhava R$ 600,00 trabalhando numa empresa de transporte em Curitiba. ‘‘Por enquanto o que eu ganho aqui só está dando para pagar a despesa’’, diz.
Para ele, a falta de atrativos que fixem a população local no município é a principal causa da estagnação da economia da cidade. ‘‘O pessoal vai de manhã para Curitiba, só volta à noite e acaba não comprando nada aqui’’, acredita. (I.S.)

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