Silvana Leão
De Londrina
A auxiliar de enfermagem Mariza Andrade, de 27 anos, está indignada com a rigidez das normas do Restaurante Universitário (RU), localizado no câmpus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela precisou almoçar no local anteontem e, segundo informou à Folha, teve que esperar por mais de duas horas para poder almoçar com a filha Bruna, de dois anos.
De acordo com Mariza Andrade, tudo começou quando, ao chegar à Coordenadoria de Recursos Humanos (CRH), pouco depois das 11 horas, para fazer inscrição para concurso público de auxiliar de enfermagem, encontrou o órgão fechado. Como teria que esperar até as 14h30 pela reabertura, resolveu almoçar no próprio câmpus. ‘‘É muito longe da cidade, e minha filha já estava se queixando de fome. Não queria comer em lanchonete, então fui aconselhada por um funcionário a ir até o RU.’’
Ela conta que chegou lá por volta das 11h30 e, ao comprar o tíquete que lhe daria direito à refeição, foi avisada que teria que pagar mais R$ 1,90 pela refeição da filha e, mesmo assim, esperar até as 13h30, horário em que é liberada a entrada de crianças. ‘‘Argumentei que uma criança deste tamanho come pouco, e que daria tranquilamente para ela fazer a refeição junto comigo. Eles responderam que era uma norma e tinha que ser cumprida.’’
Depois de muito esperar – ouvindo os lamentos da filha que se queixava de fome –, ela enfim pôde entrar no restaurante.
Osvaldo Yokota, diretor do Núcleo de Bem-Estar da Comunidade (Nubec) da UEL, órgão responsável pela administração do RU, explicou que em determinados dias da semana há um grande fluxo de pessoas na hora do almoço, e, como os alunos e funcionários da universidade têm horários a cumprir, devem ter prioridade.
Yokota lembrou que o restaurante foi construído para atender a comunidade universitária e que a capacidade é para receber 1,6 mil pessoas no almoço e 1,4 mil pessoas no jantar. ‘‘Em função da qualidade das refeições, porém, a demanda aumentou muito. Servimos até 2,2 mil refeições no almoço. A comunidade interna vem reclamando muito da demora na fila.’’
O diretor disse que no início muitas funcionárias passaram a levar os filhos para almoçar e foi preciso impor algumas normas para não comprometer o funcionamento do RU. ‘‘A comunidade externa é sempre bem-vinda, mas nosso público alvo deve ser os alunos, professores e funcionários.’’ Ele lembrou ainda que até hoje nunca havia tido problemas com a taxa de R$ 1,90 para crianças de um a sete anos.

mockup