Mauro FrassonDartagnan Emerenciano, diz que todo cuidado é poucoA rigidez do esquema de segurança do Concurso Vestibular deste ano está fazendo com que boa parcela dos candidatos a uma vaga na UFPR se sinta desconfortável com tanta pressão. Qualquer tipo de alimento, de balas a sanduíches, ou até mesmo um copo de água são considerados instrumentos propícios à cola pela Comissão Central do Vestibular (CCCV). Por isso estes produtos são proibidos de ser levados para dentro das salas. ‘‘Tantas proibições acabam prejudicando os candidatos que têm de sair da sala até para tomar um copo de água, interrompendo a concentração na prova’’, disse o candidato a uma vaga no curso de Farmácia, Marcos Roberto da Costa.
Michele Somacal, que busca uma vaga no curso de Direito, concorda com Costa: ‘‘Muitas pessoas têm necessidade de comer algo para distrair o nervosismo durante as provas’’, disse. Se para Costa os cuidados estão exagerados, para o presidente da CCCV, Dartagnan Emerenciano, são absolutamente necessários. ‘‘Ninguém é impedido de tomar água ou ir ao banheiro, mas as tentativas de cola existem e devem ser evitadas’’, avisou.
Emerenciano informou que durante o concurso do ano passado conseguiu surpreender pessoalmente cinco candidatos utilizando cola. ‘‘Os procedimentos estão cada vez mais sofisticados e criativos’’, reclamou. Ele lembrou que 39 pessoas tentaram fraudar o concurso utilizando escutas eletrônicas em 1994. ‘‘Perdemos o Natal revisando as provas, mas as fraudes não passaram’’, disse.
Este fato fez com que a CCCV se especializasse na implantação de equipamentos eletrônicos de rastreamento de comunicações por telefone e rádio, tornando praticamente impossível as fraudes eletrônicas. ‘‘Usamos peritos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que utilizam varredores de espectro que verificam as transmissões de rádio e telefone no campus’’, disse.
Com tantos equipamentos sofisticados, restou apenas a criatividade aos adeptos da cola. Dartagnan disse que já encontrou anotações em absorventes higiênicos, curativos, tampas de mate e embalagem de chocolate. ‘‘Tudo que é apreendido é filmado e utilizado para o treinamento dos nossos fiscais’’, disse Dartagnan.
A candidata a uma vaga no curso de Biologia, Claudeliz Corrêa da Silva, apóia a posição da CCCV, considerando a rigidez do concurso um mal necessário para garantir a igualdade de condições. ‘‘O controle faz parte do vestibular, que deve ser rígido para impedir abusos’’, disse. (G.V.)

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