Silvana Leão
De Londrina
A Secretaria de Obras de Londrina foi citada pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso de Oliveira, durante depoimento prestado anteontem à CEI. Alonso afirmou que existe um esquema montado para obter recursos e, ironizando, disse que na Secretaria de Obras ‘‘aditivo não é exceção, é regra’’.
A operação teria sido implantada na secretaria pelo engenheiro e sobrinho do prefeito Antonio Belinati (PFL), Dante Guazzi Belinati. Ainda segundo Alonso, o esquema dos aditivos foi acertado durante uma reunião, em maio de 98.
O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, desafiou qualquer um a apresentar documentos que provem as irregularidades. ‘‘Quem denuncia tem que provar’’, afirmou. Ele ressaltou que as licitações feitas na Secretaria são via Internet e várias pessoas assinam os processos.
Em relação aos aditivos, Righi disse ser uma prática comum em qualquer órgão, desde que sejam justificados. A burocracia para que o aditivo seja aprovado também é grande, segundo ele. ‘‘É preciso que haja a assinatura de pelo menos três pessoas aqui dentro, para depois o documento ser encaminhado à Procuradoria Jurídica e à Secretaria de Governo, que é quem autoriza.’’.
Guazzi afirmou que a citada reunião jamais aconteceu. A exemplo de Righi, ele lembrou que qualquer aditivo passa por um processo de análise técnica e jurídica, dependendo, portanto, do parecer de várias pessoas. ‘‘Não tem nexo este tipo de declaração.’’
Outra acusação feita por Alonso foi direcionada à chefe da 41ª Zona Eleitoral de Londrina, Tertuliana Maria Bicudo Macagnan, conhecida como Rosa Macagnan. De acordo com o ex-diretor, ela recebeu cerca de R$ 200 mil pelo fornecimento de marmitas durante a campanha eleitoral de 98. Rosa Macagnan não quis comentar o assunto.
O jornalista Carlos Arruda, assessor de comunicação da Sercomtel, informou ontem ter autorizado o advogado Mauro Viotto a ingressar imediatamente com representação criminal contra Alonso, visando reparação de danos morais. Em depoimento à CEI, Alonso, de forma genérica e sem apresentar provas, acusou o jornalista de comandar um ‘‘esquema de pagamentos’’ à imprensa, mas não citou os nomes das pessoas e veículos supostamente beneficiados.
Eduardo Alonso disse ter entregue uma fita de vídeo ao Ministério Público (MP) de uma conversa na sala da Comurb com o jornalista.
Arruda refutou as acusações e revelou que há um ano é alvo de ameaças e ataques difamatórios de Alonso, que julga ter sido ele o responsável pela divulgação à imprensa e ao MP de fatos que ajudam a revelar o esquema Ama/Comurb. Ele disse ter tido uma áspera conversa com o ex-diretor da Comurb em 99, quando o questionou sobre atrasos nos pagamentos aos meios de comunicação decorrentes de uma campanha de publicidade. Alonso, na oportunidade, teria confessado o desvio destes recursos.
Arruda diz que na época levou o caso aos seus superiores na prefeitura e sobre a fita afirma já saber que ela foi editada com trucagens. Ele ressaltou ter relatado todos os fatos ao promotor Cláudio Esteves, em 28 de dezembro de 99.