Ricos invadem terrenos impunemente


Giovani Ferreira
De Curitiba

A população urbana de Ponta Grossa está invadindo um paraíso ecológico no interior do município. Empresários, juízes, advogados, médicos e políticos pontagrossenses estão transformando a Represa do Alagados, a 20 quilômetros do centro da cidade, em um grande condomínio de luxo, com direito a casas construídas dentro da faixa de preservação ambiental, jet-ski, lanchas e até um acesso individual às margens do lago, considerado o maior reservatório de abastecimento de água de Ponta Grossa.
Apesar de ter sido represada em 1926, pela antiga Companhia Prada de Energia Elétrica de Ponta Grossa, a região do Alagados vem tendo um crescimento imobiliário acelerado nos últimos dez anos, quando o fazendeiro Genésio Nadal, proprietário de uma grande área às margens do lago, fez um loteamento e vendeu dezenas de terrenos para moradores da zona urbana da cidade. A partir de então, grandes casas, e até algumas mansões, passaram a dividir espaço com os pequenos casebres, de antigos moradores da região.
O IAP chegou a propor a demolição de algumas casas, alegando que elas estariam dentro da faixa de preservação permanente, definida por legislação pertinente ao assunto.
O empresário Renato Gomes Nápoli, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial e presidente do Iate Clube de Ponta Grossa, que funciona na área da represa, reconhece que podem haver irregularidades, mas afirma que elas são poucas e bastante localizadas. De acordo com Nápoli, a grande maioria das construções não está poluindo o lago.
Na área que compreende o Iate Clube, Nápoli garante que todas as construções obedecem a legislação ambiental. Ele também descarta a possibilidade de o esgoto das casas estarem sendo depositados direto na água da represa, como alguns ambientalistas chegaram a denunciar. Ele diz que, pelo menos dentro do Iate, as casas possuem fossas sépticas, o que garante o tratamento dos dejetos.
Sobre a possibilidade de algumas áreas terem sido invadidas, Renato Nápoli reconhece que alguns terrenos, fora dos domínios do Iate, podem até ter sido ocupados de forma irregular. Porém, até onde ele tem conhecimento, a maioria dos lotes foi comprada pelos seus atuais proprietários.
O advogado Fernando Voith, que também possui uma casa no Alagados, sai em defesa dos proprietários, lembrando que a construção de muitas casas que hoje estão dentro da faixa de preservação permanente, antecede a legislação em vigor.
De acordo com Fernando Voith, que condena a possibilidade radical de demolição, se a Justiça entender que nesse caso o interesse público supera o particular, os moradores terão que ter suas áreas desapropriadas e devidamente indenizadas.

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