Ricos fazem mais exercícios
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma pesquisa inédita realizada em Curitiba aponta que 6% da população pratica alguma atividade física em espaços públicos disponibilizados na Capital. Em uma parceria de universidades brasileiras e norte-americanas, do Ministério da Saúde e do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta, nos Estados Unidos, o estudo, intitulado Projeto Guia, avaliou quais regiões da cidade são mais ou menos propícias para a prática dessas atividades.
De acordo com o coordenador do projeto em Curitiba, Rodrigo Reis, uma descoberta interessante é que os parques e praças mais utilizados estão em regiões com população de maior renda. "Pudemos perceber que as pessoas de classes mais altas fazem mais exercícios físicos. Enquanto nas regiões de menor renda, os espaços são menos utilizados e, muitas vezes, com outros tipos de atividades", conta.
A pesquisa foi realizada, ao longo de 2008, em várias frentes. Foram 2 mil entrevistas por telefone, 8 mil pessoas observadas em suas atividades nos parques e praças e outras 800 entrevistas nesses ambientes. Na tarde de ontem, foram apresentados os resultados da primeira etapa do projeto.
Segundo Reis, professor de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), nas próximas etapas deve ser feita a avaliação de como as atividades físicas afetam a saúde da população e uma análise aprofundada dos espaços para auxiliar no planejamento urbanístico e orçamentário do município. "Uma das idéias é fazer uma comparação simples: se a comunidade mais ativa é também a com menor número de idas ao posto de saúde", conta.
Para Débora Malta, representante do Ministério da Saúde, Curitiba foi a segunda escolhida para os testes por já possuir programas de estímulo a esse tipo de atividade. A primeira cidade pesquisada foi Recife (PE). "Vemos que essa é uma cidade que foi bem trabalhada. Com a adaptação dos espaços públicos, percebemos claramente que os moradores próximos a essas regiões são mais ativos", comenta. Outro dado levantado é que mais de 90% dos curitibanos conhece ou já ouviu falar dos programas de atividade física públicos.
Como o caso da técnica em enfermagem Mari Schaufelberger, 39 anos, e do aposentado Duilio Brunieira, 63. Eles utilizam uma academia disponibilizada pela Prefeitura de Curitiba ao lado do Parque Barigüi. Para Mari, a grande vantagem é a proximidade de casa, mas o fato de ser gratuita também colabora. "Às vezes fica cheia demais. Mas com um pouco de paciência dá para fazer meus exercícios", diz.
Com os resultados, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer terá uma base maior para avaliar as estratégias que vêm sendo utilizadas e para o planejamento dos próximos investimentos. De acordo com o secretário Neivo Beraldin, essa é uma demanda que vem aumentando muito. "Na inauguração de um novo espaço no bairro Tatuquara, percebemos que a maior parte daquela comunidade nunca tinha feito nenhuma atividade física. A pesquisa nos dá um rumo a seguir", conclui.


