O abismo que separa duas categorias de brasiguaios - os miseráveis e os que enriqueceram - provocou também diferenças de mentalidade. A atitude dos miseráveis, de voltar ao Brasil para se aliar ao MST ou morar em favelas, é criticada pelos ‘‘ricos’’, que não têm motivos para deixar o Paraguai.
O prefeito de San Alberto, Romildo Maia de Souza, discorda de parte de seus compatriotas. ‘‘É um erro muito grande. Conheço gente que vendeu terra e casa bem mais barato do que valia para ir embora’’, declara Maia. Seguidor de princípios conservadores, o prefeito se mostra contrário à estratégia do MST, de invadir terras para apressar a reforma agrária. ‘‘É o mesmo que um assalto’’.
Para o empresário Jadir Moreira, de 29 anos, dono de dois supermercados e de uma fazenda com 200 hectares na região de San Alberto, a maioria dos brasiguaios malsucedidos ‘‘não soube aproveitar as oportunidades’’ que teve no Paraguai. ‘‘Faltou peito’’.

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