Ribeirinhos fecham bancos e lojas
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
QUERÊNCIA DO NORTE - Os ribeirinhos que na semana passada ocuparam com bois a principal praça de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) fecharam ontem as duas agências bancárias, a prefeitura e parte do comércio da cidade. Eles exigem uma resposta do Incra sobre o acordo de assentamento das 40 famílias de ribeirinhos que viviam na fazenda Pontal do Tigre. No início da manhã, máquinas foram deixadas na entrada do Banco do Brasil e do Banestado, impedindo inclusive o acesso dos funcionários às agências.
O comerciante José Luiz Nogueira disse que a comunidade apóia o protesto, mas teme um confronto entre os ribeirinhos e os sem-terra. Ele lamenta ainda que a ação dos dois grupos, em tomar a cidade para as manifestações, tem causado prejuízos para a economia local. As autoridades precisam solucionar o problema, exige.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Querência do Norte, Eufrásio Soares de Souza, disse que os ribeirinhos ocuparam a praça com animais e agora fecharam o comércio e os bancos da cidade por falta de uma solução. A cidade virou uma bagunça, mas eles estão defendendo o interesse, disse. Souza lembra que enquanto estavam na Pontal do Tigre, os ribeirinhos alcançavam alta produtividade em arroz e feijão, a agora não têm onde colocar os animais.
Quando o Incra desapropriou a fazenda Pontal do Tigre, no ano passado, os ribeirinhos ficaram como excedentes, mas fizeram um acordo com o órgão e o próprio Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) da região. Pelo acordo, as 40 famílias seriam assentadas na primeira área liberada pelo Incra. Em junho do ano passado, os ribeirinhos, junto com os sem-terra, ocuparam a fazenda Sonho Real. A propriedade foi desocupada em alguns dias com a promessa do Incra em vistoriar a área para assentar as famílias dos ribeirinhos.
Em agosto, cerca de 300 famílias de sem-terra voltaram a invadir a Sonho Real, enquanto os ribeirinhos cumpriram o acordo com o Incra, de aguardar a desapropriação para o assentamento. Agora eles querem a garantia do Incra para ocuparem legalmente a área. A falta de resposta do instituto, segundo membros das 40 famílias, obrigou o grupo a invadir a praça e ontem a fechar o comércio e os bancos.
Os ribeirinhos prometem ainda voltar para a fazenda Sonho Real, mesmo sem um acordo com o Incra ou o MST. O delegado de Querência do Norte, Luiz Alves da Silva, disse ontem que a polícia está acompanhando a manifestação dos ribeirinhos. Por enquanto o protesto é pacífico, e não vamos interferir, garantiu. No escritório do Incra em Curitiba, a informação era que a superintendente, Maria de Oliveira, estava em Brasília. A funcionária não soube informar se existia alguma equipe do órgão em Querência do Norte ontem.


