Ribeirão Quati ganha limpeza e árvores
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Espremido por casas que chegam a beijar seu leito, poluido pela água suja que desce dos bueiros clandestinamente contaminados por todo tipo de resíduos e com raras porções verdes que lhe garantem um pouco da dignidade de antigamente, o Ribeirão Quati segue seu triste curso pela zona urbana de Londrina. Objeto de um projeto ambiental que começou há quatro anos, o curso d'água vai sobrevivendo de pequenas alegrias como as que melhoraram dois pontos de suas margens nos últimos dias.
O Quati brota como um filete nos fundos do Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste), avança sobre uma porção da Zona Norte e encerra sua trajetória ao desaguar no Ribeirão Lindóia, no Conjunto Mister Thomas (Zona Leste), onde chega semimorto. Em março de 2005, uma força tarefa formada pelas secretarias Municipal e Estadual do Meio Ambiente mais um grupo de empresários prometeu recuperar a bacia, uma das mais degradadas de Londrina. Até hoje, no entanto, só um pequeno trecho foi recuperado.
Nos últimos dias, porém, duas ações ambientais voltaram a chamar a atenção para o Ribeirão Quati. Em dois bairros da Zona Norte, a comunidade se uniu à Prefeitura para realizar a limpeza e o plantio de mudas às margens do rio.
No jardim batizado com o mesmo nome do ribeirão, o presidente da Associação de Moradores, João Batista Ângelo, comemora que o lixo acumulado há meses finalmente foi amontoado e retirado. E o terreno limpo abriu espaço para outras benfeitorias: ''vamos plantar árvores frutíferas, fazer uma horta comunitária e ter um lugar para colocar os animais e as carroças'', aponta o carroceiro, que concorda que a presença de cavalos soltos por ali não é a situação mais correta. Mas ele aponta que os problemas ainda não acabaram. ''Falta desentupir os bueiros e fazer uma passagem para os moradores poderem atravessar para o outro lado.''
No Jardim Paulista, a situação é mais grave. Casas onde vivem mais de 50 famílias no final da Rua Nilo Cairo quase avançam sobre o leito do rio. Tanta proximidade, além de ter tomado o lugar da mata ciliar, facilita o despejo de esgoto doméstico e de lixo. Para piorar, um bueiro que deveria servir só para água da chuva também joga no rio resíduos de óleo de empresas próximas.
No último final de semana, o presidente da associação de moradores, Aédio Moreira Meireles, conseguiu caminhões e máquinas e limpou um pedaço de terra que servia como depósito de lixo e entulho. No local, foram plantadas quase 50 árvores frutíferas que irá dar sombra aos frequentadores da futura praça que será construída. ''Agora, precisamos cuidar para manter sempre limpo'', observa.


