Ribeirão Quati está próximo da morte
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoSem oxigênioEmissário de esgotos polui nascente: ribeirão agonizaO ribeirão Quati - que nasce no fundo de vale do jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina) - está completamente poluído e muito próximo da morte. A eliminação das principais fontes poluidoras - 85 empresas prestadoras de serviços, 50 indústrias e dez residências - demora cerca de um ano, e a recuperação completa não será possível em menos de dois anos.
Essas e outras conclusões se baseiam em recente diagnóstico sobre a degradação ambiental da bacia do ribeirão Quati, realizado sob coordenação da geógrafa da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) Márcia Regina Arantes. Na tarde de ontem, ela e o diretor técnico da AMA, Mauro Maggi, mostraram os maiores problemas ambientais ao longo dos quase 10 quilômetros de extensão do Quati - que deságua no ribeirão Lindóia (zona leste).
A qualidade da água - cuja vazão é de 48 litros cúbicos por segundo - está péssima, muito abaixo dos níveis definidos como aceitáveis pela legislação ambiental brasileira. Segundo análises realizadas nos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, a quantidade de coliformes fecais varia entre 50 mil a 160 mil por 100 ml de água. O tolerável para este tipo de ribeirão seria de, no máximo, 4 mil coliformes por 100 ml.
A oxigenação também está muito abaixo do índice considerado ideal, que é de sete miligramas de oxigênio por litro de água. As análises demonstram que, em todos os pontos de coleta, a oxigenação do Quati está próxima de zero, nunca atingindo um miligrama de oxigênio por litro. A fauna e a flora estão quase que completamente destruídas. Não sobrou um peixe vivo. Lá só existe é só vida anaeróbica, com a proliferação de vermes e bactérias, comenta Márcia Arantes.
RecuperaçãoObras para conserto de emissário: conclusão até abril
Os problemas do Quati começam já na nascente, onde há três meses um acidente - causado por aterro em terreno particular - estourou um emissário de esgotos domiciliares da Sanepar. O esgoto, que era transportado para tratamento em estação na vila Portuguesa (área central), passou então a ser lançado in natura nas águas do ribeirão. A Sanepar já iniciou a reforma do emissário, que fica pronta em abril.
Também a poucos metros da nascente está instalada a indústria de fiação de seda Bratac, que segundo os técnicos da AMA lança no Quati água quente e com restos orgânicos. Comaves, Sonoco e ZKF são outras grandes indústrias acusadas de contribuírem diretamente para a poluição do Quati, juntamente com dez residências que lançam o esgoto no ribeirão.
Outros problemas detectados foram a extinção da vegetação nas margens, ao longo dos últimos anos, e a inadequação da galerias de águas pluviais ao longo do Quati. Essas duas causas levam às constantes erosões nas margens e ao assoreamento do leito do ribeirão, afirma Márcia Arantes. Então, temos na verdade três grandes problemas: a poluição, a falta de matas ciliares, e as erosões.
Maggi adianta que uma equipe de técnicos da AMA trabalha agora na elaboração do projeto de recuperação. Inicialmente, nossas ações serão direcionadas para a eliminação dos focos poluidores. Na sequência, virá a fase de recuperação e manutenção da qualidade das águas. É trabalho para no mínimo dois anos, avalia o diretor técnico da autarquia. E terá que ser um trabalho conjunto entre a AMA, a Sanepar, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a Secretaria Municipal de Obras, indústrias e comunidade. Só assim, conseguiremos resolver este problema, que é muito sério.


