Luciane TononMobilizaçãoMoradores de áreas próximas do Ribeirão São Luiz querem providências urgentes: ‘‘Problema insuportável’’Proprietários rurais e moradores que residem às margens do Ribeirão São Luiz, em Cornélio Procópio, estão revoltados com a situação em que o rio se encontra. Totalmente poluído, ele é foco de proliferação incontrolável de borrachudos, exala mau cheiro e até provoca aborto em vacas. O caso já está no Ministério Público, através de um abaixo-assinado, para levantamento das principais causas do problema. O rio sofre com descargas de indústrias, desmate de margens e despejo de entulhos.
O Ribeirão São Luiz nasce na zona urbana de Cornélio, próximo ao bairro Vitória Régia, onde os moradores sofrem com o mau cheiro. ‘‘Não dá para receber visitas (em casa), porque a pessoa que não está acostumada chega a passar mal’’, conta a moradora Catarina Amaral, que mora há 17 anos perto do ribeirão. Segundo ela, há um desrespeito da própria comunidade, que apesar de saber que o rio é poluído continua jogando lixo e entulhos no local. ‘‘O cheiro já está impregnado, mesmo que a casa esteja limpa dá a impressão que tudo está fedendo’’, comenta a dona de casa, Heloísa de Fátima Azambe.
Na zona rural, o caso se complica ainda mais. Nos seus 25 quilômetros de extensão, o Ribeirão São Luiz abrange mais de 50 propriedades rurais, atormentando os proprietários com os focos de borrachudos. ‘‘A situação é insuportável, as casas dos funcionários permanecem sempre fechadas e com as luzes acesas mesmo durante o dia’’, comenta o agricultor Clóvis Zânia, da Fazenda Capelinha.
O proprietário da Fazenda Taquaral, Iraí Cafieiro, conta que recentemente perdeu um empregado, porque ele não aguentava os borrachudos. ‘‘Não pára ninguém no serviço’’. O agricultor Ozádio Pupin, do Sítio Santa Neide, relembra que o Ribeirão São Luiz era bom lugar de pesca e até banho. ‘‘A água era limpa. A poluição começou em 1974 e de 1985 para cá, perdeu-se o controle da situação’’, diz.
Os fazendeiros acusam algumas indústrias de efetuar descarga no rio. ‘‘Algumas empresas possuem estação de tratamento, mas não é suficiente pela quantidade de esgoto que descarrega’’, diz o agricultor Osvaldo Garcia, do sítio Santa Laura.
O caso foi parar na Justiça. Há seis meses, uma equipe de pessoas prejudicadas pelo rio denunciou o caso ao Ministério Público. ‘‘Foi dada entrada num processo pedindo providências para apurar os fatos, principalmente visando o lado social’’, explica o fazendeiro Wilson João Salete Pupim. Segundo ele, as terras perderam o valor, o gado morre e empregado nenhum quer trabalhar no local pelos riscos que correm.
O agrônomo João Ataliba de Rezende Neto, também proprietário de uma área banhada pelo Ribeirão, diz que se a vaca está prenha de seis ou sete meses e bebe a água do Ribeirão, ela aborta. ‘‘Isso porque estamos a 25 quilômetros da nascente do rio, onde se localizam grandes empresas poluentes’’.

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