RF queima 5 milhões de cigarros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Marccio W. Varella 
A Receita Federal queimou ontem, em Marialva (17 quilômetros a leste de Maringá), 26.300 pacotes de cigarros (263 mil maços ou 5,26 milhões de cigarros) apreendidos em blitze realizadas pelos auditores da 9ª Região Fiscal na região de Maringá nos últimos três meses.
Os cigarros são fabricados no Brasil e exportados com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o Paraguai. Em Ciudad del Este, o pacote do produto é vendido por R$ 5,00 em média. Os sacoleiros brasileiros compram os pacotes e os revendem no Brasil, pelo dobro do preço.
Este tipo de comércio é proibido pela legislação brasileira. O produto é transportado de volta para o país em ônibus de turismo ou de linhas normais, que partem de Foz do Iguaçu, explica o auditor Décio Rui Pialarice, 37 anos.
A maioria dos sacoleiros prefere trazer a muamba à noite, horário em que os fiscais da receita não estão trabalhando. De acordo com portaria do Ministério da Administração, os funcionários públicos estão proibidos de fazer horas extras.
Fonte da Receita Federal afirma que a apreensão desses produtos e de outros que têm cotas limitadas pela Receita poderia ser bem maior se o governo pagasse as horas extras e contratasse mais fiscais. A 9ª Região Fiscal, que abrange os estados do Paraná e de Santa Catarina, já pediu à superintendência de Brasília a contratação de mais 14 auditores. Atualmente, existem oito.
Este ano a Receita já realizou a queima de quatro lotes de cigarros apreendidos na região de Maringá. A de ontem foi realizada numa chácara localizada na entrada de Marialva. Os funcionários da receita cavaram um buraco de sete metros de diâmetro e acenderam a fogueira com óleo diesel e gasolina.
Leilão No sábado, a Receita Federal realiza no clube Acema, de Maringá, leilão de produtos importados com 550 lotes de mercadorias: brinquedos, eletroeletrônicos, bebidas, equipamentos de informática e bicicletas ergométricas. O leilão começa às 9 horas.


