Edson MazzettoDoaçãoO delegado da RF entrega mercadorias ao prefeito José Lineu GomesA Receita Federal doou ontem à Prefeitura de Nova Laranjeiras (110 quilômetros a leste de Cascavel) mercadorias do Paraguai apreendidas para serem leiloadas. O dinheiro arrecadado será destinada às famílias atingidas pelo furacão do dia 13 de junho. As mercadorias, com valor de compra no Paraguai estimado em R$ 150 mil, foram levadas para Nova Laranjeiras por dois caminhões do Exército.
A entrega da doação foi feita pelo delegado da Receita em Cascavel, Mário Bartos, ao prefeito José Lineu Gomes (PMDB), que havia solicitado o auxílio. Segundo Mário Bartos, houve autorização especial da Secretaria da Receita Federal, em Brasília, porque doação de mercadorias apreendidas tem sido liberada apenas para órgãos de assistência social federais ou estaduais.
Entre os 197 diferentes tipos de mercadorias doadas, os maiores lotes são de pilhas (9,9 mil), guarda-chuvas (4,3 mil), ferramentas, utensílios de cozinha, calculadoras, fitas cassete, rádios, canetas, relógios e brinquedos. Não foram doados cigarros, que, quando são apreendidos, devem ser incinerados, de acordo com a legislação.
O prefeito informou que alguns produtos, como os alimentos não perecíveis, material de limpeza e canetas devem ser destinados a creches e escolas. Para a venda, devem ser realizados leilões em cidades vizinhas. ‘‘Porque a nossa gente não tem muita condição de comprar’’, disse Gomes, lembrando que a maior parte dos moradores sofreu grandes prejuízos financeiros.
O prefeito também falou sobre a situação em Nova Laranjeiras, passados cerca de dois meses do furacão que resultou na morte de três pessoas, além de deixar feridos e desabrigados. Segundo ele, 127 casas foram completamente destruídas e somente 32 foram construídas; das 381 casas parcialmente atingidas, 225 foram recuperadas; dos 15 estabelecimentos comerciais destruídos, 8 foram reconstruídos; e das 31 atingidas parcialmente, 8 foram recuperadas. Na zona rural, foram refeitas 80 das 172 instalações atingidas.
‘‘A reconstrução de Nova Laranjeiras está demorando mais do que a gente imaginava no início’’, reclamou Gomes. Dias depois do furacão, o prefeito calculava em dois meses o prazo para a reconstrução. Faltam ferro, cimento e telhas. Dos 3,5 mil metros cúbicos de areia doados pela Itaipu, apenas 200 metros cúbicos foram retirados em Foz do Iguaçu pelo DER, que se prontificou a fazer o transporte mas não dispõe de caminhões em número suficiente.
Além de famílias que ainda estão abrigadas em casas de parentes, 30 permanecem em barracas da defesa civil. Gomes temia que parte da população deixasse a cidade, mas a estimativa da prefeitura é de que no máximo 10 famílias foram embora.
Segundo o prefeito, há dificuldades para o município recompor as finanças. A arrecadação mensal era de aproximadamente R$ 200 mil e atualmente não passa de R$ 145 mil. Para auxiliar na reconstrução de moradias e prédios públicos, prefeituras vizinhas têm feito doações. Ontem Nova Laranjeiras recebeu R$ 12 mil repassados por prefeituras e R$ 500 mil do governo federal. O governo do Estado também repassou R$ 200 mil e os depósitos em uma conta bancária especial feitos por pessoas de todas as regiões renderam R$ 30 mil.

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